O futebol no Rio de Janeiro poderá, em até três semanas, retomar as atividades. Ou entrar em uma crise que poderia fazer com que o Campeonato Carioca fosse encerrado sem um time ser declarado campeão.

O debate sobre um retorno dos times aos treinamentos e a volta do Estadual ganhou novo capítulo nesta segunda-feira (25), provocando um racha que colocou em lados opostos os quatro times mais populares do estado. De um lado, Flamengo e Vasco pressionam pelo retorno a qualquer custo da competição. Do outro, Botafogo e Fluminense colocam-se frontalmente contra a ideia de até voltar aos treinos.

LEIA MAIS: Análise: Flamengo não sabe a força da própria marca

A divisão de opiniões causou saia-justa até com o prefeito da cidade, Marcelo Crivella, que afirmou ter o aval dos dois clubes contrários ao retorno para que o futebol começasse a retomar suas atividades. Em nota, o Fluminense rechaçou ter até entrado em contato com a prefeitura do Rio, enquanto o Botafogo confirmou que houve uma conversa, mas descartou qualquer chance de aprovar o retorno.

Técnico do Flamengo, Jorge Jesus, faz teste do Covid-19 (Foto: Alexandre Vidal / Flamengo)

Os clubes estão pressionando o governo fluminense a voltar o Cariocão para que recebam, da Globo, parte da última parcela referente aos direitos de mídia do torneio. Seria por volta de R$ 3,8 milhões a entrar nos cofres dos times quando a bola rolar, segundo o jornalista Marcel Rizzo publicou em seu blog no UOL.

Mário Bittencourt, presidente do Fluminense, disse ao SporTV que a preocupação do futebol nesse momento não pode ser com o resultado financeiro.

"Nós não somos um setor essencial, em que pese ser uma atividade que todos os brasileiros amam. Mas o posicionamento neste momento é de preservar vidas ao invés de se preocupar exclusivamente com a questão econômica", afirmou.

À Fox Sports, o presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, criticou diretamente os clubes contrários à volta do futebol. E ainda tentou justificar o retorno.

"Por que não voltar o futebol? Só porque a curva da pandemia é ascendente? Mas está ascendente porque outras atividades não estão usando o nosso protocolo. Qual o protocolo das lojas de construção? O futebol está dando exemplo", disse o dirigente, que também ironizou Carlos Augusto Montenegro, ex-presidente e atual gestor do Botafogo, dizendo que "se eles discordam do que fazemos, é uma indicação muito forte de que provavelmente nós estamos no caminho certo".

Em meio às ofensas e à queda de braço, o Rio de Janeiro enfrenta, nos últimos dias, seu pior momento no combate à pandemia do coronavírus, com cerca de 4 mil mortos.


Notícia Coronavírus Covid-19 pandemia futebol retorno Rio de Janeiro gestão finanças economia mercado