A paralisação forçada do esporte em todo o mundo gerará um efeito cascata que afeta, diretamente, microempreendedores e trabalhadores temporários que atuam na organização dos eventos. O colapso desse sistema que gravita em torno do esporte virou motivo principal de preocupação das grandes ligas esportivas, especialmente nos Estados Unidos.

Nesta quarta-feira (18), a Major League Baseball (MLB) anunciou a criação de um fundo de US$ 30 milhões (cada time doou US$ 1 milhão) para auxiliar os funcionários que trabalham nos jogos. Como eles recebem por evento, ficarão sem receita ao menos até maio, mês em que a liga anunciou que a temporada deve começar.

"Sabemos que a decisão de adiar a temporada foi a correta, mas seria errado que essa decisão impactasse desproporcionalmente naqueles indivíduos que dependem da renda dos jogos para ajudar a sustentar suas famílias", disse, em nota, o Washington Nationals, atual campeão da World Series.

Foto: Reprodução

A decisão da MLB representa o maior esforço conjunto de uma liga americana para auxiliar os freelancers que trabalham nos jogos. Algumas outras equipes da NBA e até mesmo atletas já haviam se disponibilizado a ajudar. O Golden State Warriors, por exemplo, destinará US$ 1 milhão a esses funcionários.

Já o pivô do Utah Jazz Rudy Gobert, que foi o primeiro atleta a testar positivo para o coronavírus, depois de brincar com a contaminação durante entrevista coletiva, foi ainda mais "generoso". Arrependido do gesto que colocou em risco os profissionais que trabalhavam no evento, ele doou US$ 200 mil ao fundo de funcionários da Vivint Smart Home Arena, casa do Jazz. Além disso, doou outros US$ 100 mil para serviços sociais relacionados ao coronavírus em Utah e Oklahoma City. E mais € 100 mil a um fundo de amparo às vítimas na França, sua terra natal.

As doações de atletas começaram principalmente na Itália, país em que o coronavírus fez mais estrago. O ex-jogador Totti doou aparelhos para hospitais, enquanto o atacante Ibrahimovic arrecadou fundos para a cidade de Milão.

A Fifa também anunciou que deve criar um fundo para amparar clubes que forem prejudicados pela pausa forçada dos jogos. Na Alemanha, clubes têm anunciado doações para entidades. A Nike também vai liberar US$ 15 milhões para um fundo de combate ao coronavírus. No Brasil, mesmo com o avanço da pandemia, não foi anunciada nenhuma medida nesse sentido por entidade esportiva ou atleta.


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