A Federação Paulista de Futebol (FPF) lançou, nesta terça-feira (21), a edição 2020 do Paulistão Sicredi. Com apoio dos 16 clubes que disputarão o torneio, o órgão decidiu focar seus esforços em um movimento pelas mulheres nos estádios.

A ação já começou na própria "seletiva" (não coletiva) de apresentação: apenas mulheres, entre jornalistas e torcedoras, puderam assistir ao lançamento, enquanto os homens ficaram do lado de fora da sala e só puderam acompanhar pela televisão. O objetivo foi mostrar aos homens a sensação ruim de sentir na pele uma restrição, assim como as mulheres sentem para ir aos estádios. Do outro lado dos microfones, as mulheres também dominaram, já que a "seletiva" teve as participações de Aline Pellegrino, diretora de futebol feminino da FPF e embaixadora do movimento, e Laura Louzada , coordenadora de marketing do Botafogo-SP e representante dos clubes.

Fotos: Daniela Ramiro / FPF e Rodrigo Corsi / FPF

De acordo com a FPF, o conceito do movimento, batizado de #ElasNoEstádio, será o único tema de impacto social na competição em 2020. A ideia surgiu após a divulgação dos resultados de duas pesquisas: uma quantitativa, do Datafolha, que apontou o baixo número de mulheres nos jogos; e outra qualitativa, feita pelo Ibope/Repucom.

A primeira revelou que as mulheres representam apenas 14% do público que frequenta os estádios do Paulistão. Já a segunda indicou que o conceito familiar ou social de que um estádio de futebol não é um local adequado para mulheres é um dos principais fatores para afastar o público feminino da modalidade. Neste contexto, as mulheres entrevistadas relataram que lhes falta companhia ou incentivo de seu círculo social para comparecer aos jogos.

Foto: Reprodução / Twitter (@Paulistao)

Neste primeiro momento, as principais iniciativas do #ElasNoEstádio serão atendimento especial às mulheres nos estádios, para que possam relatar assédio, ofensas e violência; incentivo a coletivos e grupos femininos para que as mulheres possam ir juntas aos estádios; e abertura de um canal de comunicação exclusivo para mulheres darem sugestões, criticarem ou até mesmo denunciarem crimes ou ofensas ([email protected]).

Logo após a apresentação, todos os clubes que disputarão o torneio usaram suas respectivas redes sociais para demonstrar apoio ao movimento. Alguns ainda aproveitaram para criar hashtags com o nome do próprio estádio envolvido, caso do Santos com #ElasNaVilaBelmiro. 

Foto: Reprodução / Twitter (@SantosFC)


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