Dois dias após o presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, se encontrar com o da República, Jair Bolsonaro, o clube carioca decidiu comprar a briga política do governo federal e forçar a retomada dos treinos de seus jogadores no CT Ninho do Urubu, contrariando as recomendações do governo estadual.

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Na manhã desta quinta-feira (21), o Flamengo divulgou um comunicado confirmando que os jogadores voltariam aos treinos porque "os atletas e os integrantes envolvidos no dia a dia do Ninho do Urubu informam que se sentem seguros e aptos a retomar os treinamentos em razão do protocolo de segurança e prevenção adotado pelo departamento médico do Flamengo". A nota dividiu a opinião dos próprios torcedores do clube e gerou crise com a secretária de saúde do Rio de Janeiro.

Imagem aérea do CT Ninho do Urubu mostra jogadores do Flamengo em campo (Foto: Reprodução)

"O retorno aos treinos, físicos ou táticos, ainda não está permitido, ao menos até o próximo dia 25 (segunda-feira). Nós acreditamos que o Flamengo, se estiver fazendo alguma atividade, o que nós não acreditamos, vai voltar atrás e cumprir o papel dele. Um clube tão importante e formador de opinião. Imagina os nossos jovens vendo o Flamengo treinar. Eles vão querer sair de suas casas no momento que isso não é possível. Se o Flamengo não cumprir o decreto, será penalizado como qualquer time que não cumpra", disse a secretária municipal de saúde, Ana Beatriz Busch.

À tarde, após a pressão colocada pela secretária, equipes das secretarias de Vigilância Sanitária e da Fazenda foram fazer uma inspeção no Centro de Treinamento do clube, porém foram proibidos de entrar no espaço, já que o Flamengo alegou que não havia um funcionário do setor para poder atender aos fiscais. O clube foi notificado e terá de se explicar na manhã desta sexta-feira (22) para não ter o CT fechado pela prefeitura.

A novela ganhou novos capítulos à noite, quando o presidente da República voltou a pressionar pela volta do futebol em live na internet. Segundo Bolsonaro, houve uma reunião com Marcelo Crivella, prefeito do Rio de Janeiro, em que foi feito um pedido para o futebol voltar a campo, mas sem a presença de torcedores.

Mais uma vez o presidente tentou usar o apelo popular do futebol para justificar a medida. "No que depender do Ministério da Saúde, ele é favorável a dar um parecer nesse sentido (de liberar os jogos), para que a gente possa assistir um futebolzinho no sábado, no domingo. Até ajuda a deixar o povo em casa, menos estressado".

Até agora, apenas o Vasco tem apoiado o Flamengo na tentativa de voltar às atividades. Os demais clubes espalhados pelo país têm realizado as atividades remotamente.


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