A extensa lista de projetos relacionados ao vôlei que a Herbalife anunciou nos últimos meses para o mercado brasileiro é emblemática. A empresa de produtos nutricionais adotou o esporte como principal plataforma de comunicação para seu portfólio.

A Herbalife patrocinou neste ano o Sul-Americano de clubes de vôlei, que aconteceu em Santa Catarina. Além disso, esteve no Sul-Americano feminino de seleções, na Liga Mundial masculina, no Grand Prix feminino e em três etapas do circuito Banco do Brasil de vôlei de praia.

Na mesma época, a companhia ainda anunciou outro projeto ligado ao esporte. A Herbalife acertou com o Valencia. Por 600 mil euros anuais, a empresa passou a estampar sua marca nos calções da equipe.

Com tantos projetos, a pergunta é inevitável: até onde vai a investida da Herbalife no esporte? ?A resposta está diretamente associada ao crescimento do negócio. Estamos longe de ter chegado ao limite. A Herbalife é uma empresa que atua no Brasil há 14 anos, com 30 anos no mundo. Faturamos US$ 3,8 bilhões no mundo no ano passado, e o Brasil é um mercado em potencial. Vamos crescer muito aqui nos próximos cinco ou dez anos, e o patrocínio acompanha essa tendência?, disse Marcelo Zalcberg, diretor-geral da empresa, em entrevista exclusiva à Máquina do Esporte.

Zalcberg falou sobre a importância do esporte para o planejamento da Herbalife, a ativação dos patrocínios da marca à atividade física e o perfil das próximas apostas do grupo em diferentes modalidades.

Leia a seguir a íntegra da entrevista:

Máquina do Esporte: No Brasil, a Herbalife anunciou recentemente uma ampliação em sua lista de patrocínios ao vôlei. Internacionalmente, a marca fechou um aporte ao Valencia para o futebol. Existe uma diferença de foco para o marketing esportivo da empresa em comparação entre os cenários daqui e de fora?

Marcelo Zalcberg: Não existe diferença alguma. Nosso alinhamento é o mesmo dentro e fora do Brasil. Somos uma empresa de venda direta, presente em 70 países, com foco em produtos nutricionais para controle de peso, cuidados pessoais e bem estar. Investir em patrocínios a atividades esportivas tem uma relação muito clara com a nossa marca, uma vez que falamos de algo que proporciona bem estar e é uma atividade saudável. Nossa proposta é usar o esporte como plataforma, e nesse sentido existe um alinhamento total do nacional com o internacional. Investimos no futebol, no vôlei, na maratona... temos patrocinado automobilismo, pilotos, corridas e atividades que de alguma maneira são correlatas.

ME: A proposta pode ser a mesma, mas o investimento de vocês no esporte tornou-se mais agressivo nos últimos anos...

MZ: No caso específico do Brasil, em anos anteriores nós investimos muito no Troféu Brasil de triatlo. Estivemos em uma série de etapas, e um dos motivos é que fala da questão do preparo físico e do bem estar. Mais acima de tudo, trata-se de uma modalidade que permitiu uma participação ampla dos nossos distribuidores, e essa foi uma maneira de incentivar nossos funcionários e distribuidores a colocar mais esporte na vida deles. As oportunidades vão aparecendo, vão sendo avaliadas, e as decisões têm sido tomadas.

ME: A que se deve uma aposta tão incisiva no vôlei?

MZ: Essa decisão veio sendo amadurecida no passado. Nós sempre buscamos oportunidades para a nossa marca relacionadas a esporte ou bem estar. O vôlei tem crescido muito no Brasil, tem uma identificação muito grande com bem estar, com sucesso, com time campeão e com orgulho de ser brasileiro. Nós queremos muito disso com a nossa marca. Buscamos um conjunto de iniciativas com objetivo de dar apoio ao esporte, associar nossa marca a um segmento vencedor e aumentar a exposição. Já tínhamos uma experiência interessante no triatlo, mas era importante mudarmos de patamar.

ME: Quanto a Herbalife gasta com marketing esportivo atualmente?

MZ: Temos um budget próximo a R$ 1 milhão para o Brasil.

ME: Existe uma medição de retorno do que a Herbalife investe?

MZ: A medição disso é um pouco difícil, mas temos tido um retorno legal. A base de distribuidores tem aumentado ? cresceu mais de 10% no primeiro semestre deste ano ?, e o volume de negócios também subiu 17% no mesmo período. O patrocínio ajuda, mas isso não é um resultado de apenas um fator. Temos aí uma soma de publicidade, patrocínio, vendedores, produtos, campanhas publicitárias, novos produtos no mercado... é um conjunto grande de variáveis.

ME: Como vocês fazem a ativação desses patrocínios?

MZ: Isso varia de evento para evento. Mas de forma geral, fazemos distribuição de brindes, degustação de produtos, camisetas e mãozinhas com a nossa marca. Isso sem falar em placas ou bandeiras. Procuramos expor nossa marca da maneira mais efetiva possível, sempre respeitando os limites de cada competição.

ME: A Herbalife já chegou a um limite de aporte de capital no esporte brasileiro? Se não, qual é a perspectiva de crescimento?

MZ: A resposta a essa pergunta está diretamente associada ao crescimento do negócio. Estamos longe de ter chegado ao limite. A Herbalife é uma empresa que atua no Brasil há 14 anos, com 30 anos no mundo. Faturamos US$ 3,8 bilhões no mundo no ano passado, e o Brasil é um mercado em potencial. Vamos crescer muito aqui nos próximos cinco ou dez anos, e o patrocínio acompanha essa tendência.

ME: Como a Herbalife lidou com a crise financeira internacional? Houve alguma mudança significativa na estrutura ou nos procedimentos da empresa?

MZ: Nesses 14 anos de Brasil, estruturamos uma empresa para sustentar um crescimento consistente. Temos crescido dois dígitos nos últimos anos, e sempre fizemos investimentos necessários na estrutura para suportar esse negócio. Crescemos 10% no ano passado, dois dígitos em anos anteriores, e sempre com um viés sustentável. Estamos preparados para crescer, e isso é o mais importante. Temos produtos competitivos, feitos aqui, com preços competitivos e adequados à realidade.

Outra coisa é o tipo de oportunidade que nós oferecemos: trabalhamos com venda direta, um segmento que atende ao que está acontecendo com o mercado. As pessoas perdem seus empregos, procuram oportunidades para recolocação ou desenvolver um negócio e muitas vezes gostam da chance que nós oferecemos. O momento de crise, portanto, foi de crescimento para nós.

ME: Como vocês decidem que tipo de evento a marca deve patrocinar?

MZ: Temos áreas de marketing interno, e elas são responsáveis por acompanhar todo o investimento em patrocínio. Além disso, contamos com uma consultoria de marketing esportivo da agência Fragata, que nos ajuda a identificar oportunidades de obter retorno. Temos discussões internas sobre cada caso antes de aprovar. Também fazemos consultas à matriz de Los Angeles, até para assegurar o alinhamento de que falamos antes. Trabalhamos com esportes um pouco diferentes às vezes, mas dentro de um alinhamento global.

ME: Quais são as metas da Herbalife para o mercado brasileiro?

MZ: Temos a terceira maior empresa de venda direta do mercado brasileiro, a primeira em multinível. O Brasil ocupa a terceira posição entre os países da Herbalife mundial, tem crescido muito e esperamos continuar assim. Não posso falar em valores ou abrir os números, mas queremos continuar crescendo.


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