A Máquina do Esporte conversou com Sport Strategy em 2010, recém-inaugurada naquela época. Após três anos de atuação no mercado, os rumos da empresa mudaram consideravelmente.

Criada pelos grupos BSB e Investmark, a empresa tinha, inicialmente, a pretensão de investir na área estratégica das empresas que quisessem atuar em torno da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016. No entanto, a Sport Strategy viu no MMA uma solução para crescer rapidamente e se adaptar às exigências do mercado. Claro, sem esquecer dos megaeventos.

Atualmente, a companhia atua basicamente em três frentes: gestão de carreira de atletas, licenciamento de produtos e consultoria. Entre os esportistas ligados à marca, destaque para os lutadores Minotauro, Minotouro, Werdum, Wanderley Silva, Lyoto Machida e até Jon Jones, em compromissos no Brasil.

Confira a primeira entrevista realizada pela Máquina do Esporte com a Sport Strategy, em 2010: Nova, Sport Strategy busca R$ 500 milhões até 2016

A Máquina do Esporte conversou com Geraldo Rocha Azevedo, o profissional que comanda a empresa atualmente. Confira a entrevista na íntegra:

Máquina do Esporte: Na conversa da Máquina do Esporte com a Sport Strategy em 2010, vocês tinham um plano de faturamento de R$ 500 milhões até 2016. Estamos na metade do caminho, ainda mantém essa perspectiva?

Geraldo Azevedo: A gente acredita que o faturamento do nosso negócio deve bater perto disso em 2016. O trabalho vai se intensificar nesses próximos anos com os grandes eventos. Tivemos um período de apresentação da empresa e agora vejo que já estamos bem inseridos no mercado.

 ME:Nesses três anos de trabalho quais foram as maiores dificuldades enfrentadas?

 GA: Na verdade não foram três anos porque nós começamos a trabalhar no formato atual em 2011. Desde lá não vimos muito dificuldades. Existe um problema das empresas em diferenciar uma visão estratégica de uma visão prática das coisas. Elas têm mania de focar apenas na compra de propriedades e não percebem as vantagens de planejar estrategicamente antes de sair comprando.

 ME:Qual foi a mudança que ocorreu em 2011?

GA: Em 2011 a gente começou a optar por uma área de gestão de carreira de atletas. A pretensão inicial era criar uma agência que pensava no esporte com uma visão mais estratégica. Sim, tem pessoas que querem isso, mas a gente não estaria no ponto que estamos hoje se seguíssemos essa área.

 ME:Como a empresa está hoje em relação a faturamento e tamanho da equipe?

GA: Hoje, nós temos 14 pessoas trabalhando. Ainda esse ano, devemos aumentar o número, mas não passará dos 20. Sobre o faturamento, devemos ter um lucro de R$ 40 a 50 milhões esse ano, 20% a mais que último ano.

 ME:Quanto a Sport Strategy investe anualmente no esporte?

GA: Na verdade nós não temos um investimento próprio no esporte. Somos muito seletivos na questão do atleta, temos um cartel grande de lutadores de MMA, mas escolhemos aqueles que sabemos que entendem o nosso trabalho.

 ME:O MMA passa por um momento de muita visibilidade, como vocês estão trabalhando para aproveitar isso?

GA: Nós achamos que o MMA veio para ficar. Ele está crescendo absurdamente, e nós iremos continuar investindo nesse crescimento da modalidade.

 ME:Como trabalham individualmente com os lutadores? Vocês traçam um perfil de cada atleta para definir que marca se agrega melhor a um ou a outro?

GA: A gente atende uma demanda e tomamos muito cuidado para que não venha qualquer marca apoiar o atleta e cometa algum erro que possa prejudicar ele depois. Nós traçamos, junto com os atletas, um perfil de onde eles pretendem estar nos próximos cinco anos e como eles podem chegar até lá. Os patrocinadores já possuem alguns patrocínios também e temos que tomar cuidado para não “combater” esses parceiros com empresas concorrentes. 

 ME:Como é o trabalho do com o Jon Jones quando ele está no Brasil?

 GA: É um trabalho muito legal, todos esses atletas internacionais são muito tranquilos, é uma delícia trabalhar com ele.  O tratamento do Jon Jones é exatamente igual ao dos outros atletas, nós fazemos licenciamentos para ele do mesmo jeito que fazemos com os outros lutadores.

 ME:Hoje em dia em o MMA é o esporte que a Sport Strategy mais atua?

 GA: Hoje é o MMA. Nós começamos a investir na modalidade e montamos uma equipe própria para isso. Hoje estamos colhendo os frutos. Mas nós temos mais duas áreas além do planejamento e gestão de atletas: fazemos consultoria e ainda atuamos na parte de licenciamento.

 ME:Você falou bastante do investimento no MMA, como pretendem trabalhar com a Copa do Mundo de 2014?

GA: Na Copa do Mundo nós deixaremos um pouco de lado essa questão da gestão de carreira e atuaremos mais como consultoria.Se as marcas quiserem participar da Copa e a gente ajuda. A parte mais legal é achar soluções para que as empresas atuem na Copa do Mundo mesmo que elas não sejam patrocinadoras oficiais. Será um desafio muito interessante mexer com esse jogo das restrições.

 ME:Nós Jogos Olímpicos de 2016 vocês terão a mesma estratégia?

 GA: Sim, a mesma coisa.

 ME:Como será o trabalho de vocês depois dos megaeventos?

 GA: Os próximos anos vão servir para elevar o esporte e a comunicação para outro patamar. Os dois segmentos estarão muito mais profissionalizados e segmentados. Com isso, nós esperamos nos consolidar e continuar investindo no mesmo ritmo.


Entrevista