O piloto Rubens Barrichello não será a única ligação com o Brasil que a Brawn terá no Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 deste ano, no dia 18 de outubro. Carros e pilotos da escuderia também terão as marcas da cerveja Itaipava e do energético TNT, ambos produzidos pela cervejaria Petrópolis.

O contrato pontual vale apenas para essa corrida, e faz parte de um projeto da companhia para consolidar as duas marcas no esporte. Essa investida começou em 2008 com a Itaipava, e passou por várias categorias do automobilismo antes de chegar à Fórmula 1.

?O patrocínio tem uma série de fatores positivos. Contou a presença de um brasileiro, mas também o fato de o Rubinho estar disputando o campeonato. Somos uma empresa brasileira, com foco de trabalho de imagem aqui no Brasil, e por isso escolhemos essa corrida. Outro aspecto que contou é o fato de ser uma equipe nova, com potencial, que já estava despontando no Mundial de pilotos e de construtores. Enxergamos aí uma possibilidade interessante. Não estava prevista uma ação na Fórmula 1 para este ano, mas a oportunidade apareceu e efetivamos a parceria?, disse Douglas Costa, gerente de marketing da Petrópolis, em entrevista exclusiva à Máquina do Esporte.

A Itaipava responde atualmente por 6,4% do mercado de cervejas no Brasil, segundo dados do instituto Nielsen. Além da Fórmula 1, a marca é uma das principais investidoras nas categorias de turismo do país. Sua atuação na Brawn será orientada por uma campanha de consumo responsável, norteada pelo slogan ?lugar de piloto é na pista?.

A proposta para o energético TNT é um pouco diferente. A marca não estava no planejamento inicial, mas a Petrópolis decidiu colocá-la nos carros depois que conseguiu um upgrade do contrato. A ideia da companhia é aproveitar a Fórmula 1 para fortalecer o produto, que tem pouco tempo de mercado. Depois disso, a comunicação deve se voltar a esportes radicais.

A busca de outras modalidades para o TNT já começou, mas não se limita a esse produto. A Itaipava também aposta em esportes além do automobilismo, com patrocínios às transmissões da Copa do Mundo de 2010 na Band e das Olimpíadas de 2012 na Record.

?É meio incerto ainda o quanto vamos crescer. Ainda estamos aguardando eventos para o ano que vem, e isso é um pouco complicado de prever. Mas dentro do que houver de possibilidade, vamos buscar explorar?, avisou Costa.

Leia a íntegra da entrevista a seguir:

Máquina do Esporte ? A Itaipava fechou com a Brawn GP para a corrida do Brasil da Fórmula 1 neste ano, e com isso reforçou a aposta da marca no automobilismo. A que se deve uma ligação tão forte com a modalidade?

Douglas Costa ? No começo de 2008, iniciamos um trabalho com a marca Itaipava no automobilismo. Há dois motivos: primeiro, usamos o esporte para trabalhar a imagem da marca dentro do que achamos interessante, e o carro é uma paixão de todos os brasileiros. O público que consome a nossa marca gosta de automobilismo. Além disso, estamos iniciando um trabalho responsável, uma campanha que se chama ?lugar de piloto é na pista?. Isso é importante. Se você quer correr com seu carro, se aventurar, vá procurar uma pista ou um local adequado.

ME ? Vocês já estiveram em outras categorias do automobilismo. Como a marca chegou à Fórmula 1?

DC ? Nós começamos lá atrás com um patrocínio à Maserati, uma categoria que já existia e estava em crescimento. Criamos o Itaipava Troféu Maserati, evoluindo todo o evento e um pouco mais recentemente fundindo isso à GT3. Acabamos criando uma coisa nova, chamada Itaipava GT Brasil. Temos um histórico no automobilismo, estivemos na Stock Car e na Fórmula Truck, e já era um desejo nosso trabalhar na Fórmula 1, que é uma vitrine global para qualquer empresa. Eu já tinha um contato com a Sport Media International, e mais recentemente dei uma sondada com uma pessoa que eu conheço lá dentro sobre patrocínios para a Fórmula 1. Apareceu então a questão da Brawn para o GP do Brasil. Começamos uma negociação, tivemos uma reunião no Brasil e assinamos no dia 28 de agosto.

ME ? Por que vocês escolheram justamente o Brasil para fazer essa ação e por que decidiram limitar o patrocínio a uma corrida?

DC ? O Brasil foi a possibilidade mais viável, até para podermos entender como funciona e qual o retorno que essa ação pode nos dar. Por isso é que fizemos uma opção inicialmente apenas para o GP do Brasil. Juntamos duas coisas: a possibilidade de avaliar o retorno, que já temos sentido que é muito forte, e a previsão de que a corrida será decisiva para o campeonato, com a Brawn podendo ser campeã.

ME ? O fato de o brasileiro Rubens Barrichello estar na Brawn pesou de alguma forma?

DC ? O patrocínio tem uma série de fatores positivos. Contou a presença de um brasileiro, mas também o fato de o Rubinho estar disputando o campeonato. Somos uma empresa brasileira, com foco de trabalho de imagem aqui no Brasil, e por isso escolhemos essa corrida. Outro aspecto que contou é o fato de ser uma equipe nova, com potencial, que já estava despontando no Mundial de pilotos e de construtores. Enxergamos aí uma possibilidade interessante. Não estava prevista uma ação na Fórmula 1 para este ano, mas a oportunidade apareceu e efetivamos a parceria. Sinto que existe um retorno muito forte de imagem, uma repercussão muito legal no Brasil. Ainda teremos um barulho maior com a ativação, principalmente no exterior.

ME ? Mas o foco de vocês é um fortalecimento da marca nacionalmente ou uma exposição fora do Brasil?

DC ? Nosso foco é o mercado brasileiro. Ainda não atendemos 100% do território nacional. Hoje exportamos para outros países, mas ainda não estamos fazendo uma comunicação específica para isso. Pensamos principalmente no Brasil, que tem um volume de público muito grande na Fórmula 1. Principalmente por ser fim do ano, com a reta final do campeonato. Isso atrai ainda mais a atenção. E eu preciso reforçar a questão de a Brawn ser nova, com uma similaridade grande com a nossa marca, que também é jovem e vem despontando.

ME ? Como serão a comunicação e a ativação do patrocínio?

DC ? O que estamos planejando é utilizar muito o espaço na mídia impressa para divulgar o patrocínio. Em virtude de o tempo não ser longo entre a assinatura do contrato e a corrida, buscamos ser bastante objetivos. Vamos fazer uma coletiva do Ross Brawn antes da prova, um trabalho com a imprensa e estamos fechando ações com o Rubinho. Também vamos trabalhar com carros protótipo da Brawn, principalmente em São Paulo.

ME ? E a relação com o slogan ?lugar de piloto é na pista?, como vai aparecer?

DC ? Especificamente para essa questão da Brawn, criamos um selo e vamos colocá-lo em todas as ações. Trabalharemos toda a campanha com a ideia de que lugar de piloto é na pista.

ME ? A Nova Schin, outra marca de cerveja, patrocina as transmissões da Fórmula 1 na Globo. Esse acordo com a Brawn é uma forma de brigar por exposição no mesmo mercado deles?

DC ? Na verdade, o perfil da nossa cervejaria é competir de forma sadia no mercado. Temos um respeito muito grande por concorrentes e competidores. O mercado precisa disso, de mais gente investindo. Na Fórmula 1, acredito que as duas coisas podem conviver juntas. Nosso patrocínio é focado na equipe, principalmente nos carros, e o do concorrente é na transmissão.

ME ? Quanto a Itaipava investiu no patrocínio à Fórmula 1?

DC ? O investimento não pode ser divulgado por contrato, mas é menos de 0,5% da nossa verba total.

ME ? Vocês pensam ou já começaram a conversar sobre renovação do patrocínio à equipe?

DC ? Estamos avaliando ainda, até para ver o que acontece. Como o foco principal é o patrocínio aos carros do Button e do Barrichello, depois da corrida é que vamos sentir o retorno disso. É um processo que estamos em avaliação. Nosso foco é o mercado brasileiro, e ainda estamos avaliando o impacto dessa questão.

ME ? Qual é a importância do Itaipava GT no planejamento de vocês?

DC ? A ideia é crescer junto com o evento. Estamos estudando e vendo com os organizadores como o evento vai ficar. É importante existir uma empresa apoiando o automobilismo no Brasil. Pretendemos ampliar o patrocínio juntamente com o evento.

ME ? Além disso, o que vocês vislumbram de crescimento para a marca no esporte?

DC ? É meio incerto ainda o quanto vamos crescer. Ainda estamos aguardando eventos para o ano que vem, e isso é um pouco complicado de prever. Mas dentro do que houver de possibilidade, vamos buscar explorar. É até um pouco difícil dizer o quanto o esporte vai representar dentro da nossa verba, mas estamos avaliando as oportunidades que aparecerem.

ME ? A Itaipava também fechou com as transmissões da Copa do Mundo de 2010, na Band, e das Olimpíadas de 2012, na Record. Por que vocês escolheram esses eventos e por que patrocinar mídia fora da Globo, que é a emissora líder?

DC ? Não fechamos somente a Copa e as Olimpíadas, mas os campeonatos que estão no meio, que estão atrelados ao evento principal. Analisamos o que havia de viabilidade em eventos de grande expressão, a questão positiva da negociação e os espaços cedidos. Fizemos uma avaliação criteriosa dos dois pacotes. O futebol tem uma associação muito forte com o público masculino e também com as mulheres, que consomem cerveja. A questão das Olimpíadas aconteceu porque foi muito viável, principalmente pela exposição que a Record vem ganhando. Não posso associar a cerveja diretamente ao esporte, mas vamos divulgar em pacotes excelentes.

ME ? O patrocínio à Brawn GP também servirá para vocês trabalharem a marca de energéticos TNT. Qual será a diferença entre a comunicação desses produtos e da Itaipava?

DC ? A Itaipava tem uma questão do consumo responsável, associando a marca ao automobilismo porque tem um retorno legal. O TNT, além de tudo isso, tem um esforço para associar esse tipo de produto a quem pratica esportes, quem tem uma atividade diária muito intensa. O energético tem vitaminas e nutrientes que contribuem para diminuir o desgaste físico e mental. Por isso também estamos trabalhando isso com esportes, principalmente com radicais. Em breve divulgaremos novidades sobre isso.


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