A New Era quer se estabilizar no Brasil como uma empresa que não vende bonés, mas artigos de moda. Mesmo focada em licenciados esportivos, a marca mira fugir dos produtos apresentados pelas empresas do meio para se tornar diferenciada.

Em entrevista à Máquina do Esporte, o sócio diretor da Marc4, Artur Regen, explicou a situação: “O boné virou uma peça bacana de se vestir. Antes, as pessoas não colocavam um boné para sair à noite. Hoje, nós olhamos uma casa noturna e vemos 30% das pessoas com o acessório”.

Desde 2010, a New Era detém parte da Marc4 para comercializar produtos no país. A estratégia tem tido resultado expressivo, com crescimentos constantes nos últimos anos. Em 2012, a empresa chegou a subir seus valores em 120% no primeiro trimestre.

A estratégia tem se focado em exposições espontâneas e uma maior atenção aos pontos de venda. “No Brasil, os bonés ficam escondidos nas lojas, na parte do fundo, sem visibilidade. Nos Estados Unidos, as lojas têm paredes de bonés, com prateleiras específicas”, afirmou Regen.

Com o intuito de fazer produtos que estejam ligados à moda, os modelos de Corinthians e Flamengo ganharam até a assinatura do estilista Alexandre Herchcovitch. Ainda assim, o campeão de venda é um dos símbolos da New Era: o Yankees, time americano de beisebol.

Leia a entrevista na íntegra:   

Máquina do Esporte: Qual é a história da New Era no Brasil?

Artur Regen: A New Era é uma marca que existe há 91 anos nos Estados Unidos e que, nesses anos sempre esteve muito atrelada ao esporte. A associação com o beisebol foi feita já no começo dessa história, mas mais recentemente a empresa ganhou o direito de uso da NFL, a liga de futebol americano. Esse direito era da Adidas, mas com a mudança da liga para a Nike, a New Era conseguiu a licença. A empresa chegou ao Brasil 2007 por meio da Marc4, que teve como função posicionar a marca no país. Em 2009, com o potencial que eles viram no Brasil, resolveram ter um pé mais forte no país. Compraram, então, parte da Marc4, em uma operação que foi concluída no fim de 2010.

ME: Qual é a importância do esporte para a New Era?

AR: De fato, a New Era está bastante ligada ao esporte, assim como a Marc4 também está. Nós fechamos recentemente, por exemplo, o Circuito Netshoes Skate para a Juventude, o que se alinha à nossa proposta, com o street sport, algo muito forte na Marc4 e na New Era. Hoje, nós possuímos três marcas. Além da New Era e da Marc4, temos a Zoo York, marca que também se associa ao esporte de rua.

ME: Especificamente com o esporte no Brasil, quais são as apostas da New Era?

AR: No futebol, temos 21 linhas de produtos. Temos licenciados de todos os principais times do país. A exceção está apenas no Palmeiras e no Fluminense, que são patrocinados pela Adidas. A Adidas vetou o licenciamento dos bonés para a New Era. Sinceramente, não sei dizer o porquê, já que eles são fortes em chuteiras e camisetas, mas não em bonés. Marcas como Nike e Olympikus não viram nenhum problema. Hoje, os bonés viraram item de moda. Inclusive, temos modelos do Corinthians e do Flamengo que tem o desenho feito pelo Alexandre Herchcovitch. Então existe esse viés fashion.

ME: E como entra o UFC nessa história?

AR: O UFC é o próximo passo. O nosso pilar são os licenciados de diversas peças de roupas, além do boné. Então nós fechamos a licença do UFC e do TUF para usar as marcas em nossos acessórios e ceder peças aos lutadores.

ME: Qual licenciado vende mais no Brasil?

AR: Em termos de bonés, os Yankees são os grandes campeões de audiência, ninguém vende mais. Entre os brasileiros, o Corinthians é o que mais tem apelo.

ME: A New Era sente o crescimento da NFL no Brasil?

AR: Sim, a NFL tem tido mais aceitação no Brasil. E existe uma carência muito grande de produtos licenciados do futebol americano no país, ainda que as marcas dos times sejam conhecidas. Pelos clubes, os produtos não chegam ao Brasil.

ME: Como é construída a estratégia de marketing da empresa?

AR: Existem três pilares no nosso marketing. O primeiro é com os formadores de opinião. Nós não temos atletas patrocinados, mas cedemos bonés a algumas personalidades. É o caso do Neymar, que não tira o boné da New Era da cabeça, mesmo sem nenhum contrato entre a empresa e o jogador. Outro pilar está nas redes sociais e nas nossas relações públicas, para nos comunicarmos com os consumidores, imprensa e público. Por fim, colocamos produtos em programas de televisão. Na novela Avenida Brasil, um ator apareceu por três minutos e meio com uma camisa e com um boné da New Era.

ME: Em relação aos pontos de venda, o que tem sido feito?

AR: No Brasil, os bonés ficam escondidos nas lojas, na parte do fundo, sem visibilidade. Nos Estados Unidos, as lojas têm paredes de bonés, com prateleiras específicas. Isso é o que nós queremos implantar no Brasil, com o Projeto Parede. Nesse projeto, nós temos doado o suporte para as lojas, seja para paredes ou para colunas. A parede fica, então, cheia de modelos, não há quem passe pela loja e não veja. E, para o lojista, é vantajoso porque o produto tem custo relativamente alto, mas com uma menor ocupação de metro quadrado. Já implantamos o projeto a 400 lojas e o objetivo é chegar a mil neste ano.

ME: E em eventos, como Circuito Netshoes, como se comunicar?

AR: Nós estamos em eventos como a Virada Esportiva, com sessões de autógrafos. Fazemos também ações em casas noturnas, como a Cap Night, na Clash, em São Paulo. Se a pessoa chegar com um boné da New Era, ela ganha descontos ou entrada gratuita.

ME: Qual tem sido o crescimento da empresa?

AR: Crescemos 65% em 2010 e 67% em 2011. Neste ano, a previsão era de 30%, mas nós tivemos uma boa surpresa: apenas no primeiro trimestre, crescemos 120%.

ME: Por que isso aconteceu?

AR: O boné virou uma peça bacana de se vestir. Antes, as pessoas não colocavam um boné para sair à noite. Hoje, nós olhamos uma casa noturna e vemos 30% das pessoas com o acessório. Além disso, a linha de roupas deu muito certo no Brasil. Nos Estados Unidos, a New Era está muito associada ao boné, mas no Brasil isso não é tão forte, então tivemos resultados mais expressivos.   


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