Alexandre Barros começou a desenvolver projetos empresariais ligados ao motociclismo em 2005, dois anos antes de encerrar a carreira de piloto. Mas só quatro anos depois, no segundo semestre de 2009, ele começou a desenvolver um trabalho mais focado nesse segmento.

O símbolo dessa mudança de postura foi a criação de um curso de motociclismo. A ideia surgiu em 2009, quando Barros acompanhava as reclamações de concessionárias de rodovias sobre a falta de preparação de motociclistas brasileiros. Nesta semana, o projeto foi lançado oficialmente em evento promovido em São Paulo.

A grande novidade da entrevista coletiva foi um anúncio de parceria com a BMW, que fornecerá motos para o curso. A iniciativa lançada por Alexandre Barros tem três módulos diferentes (básico, intermediário e avançado), todos com duração de um dia, com preços entre R$ 3,5 mil e R$ 4,5 mil.

?Vamos montar uma estrutura que também atenda a classe C, mas o perfil é um pouco mais alto. Buscamos aquelas pessoas de 40 ou 50 anos, que compraram a primeira motocicleta, pretendem usar para passeio e ainda não sabem andar. Ou então aqueles que compraram e não têm prática?, explicou Barros em entrevista exclusiva à Máquina do Esporte.

Nessa conversa, o ex-piloto deslinda a estrutura do curso criado em São Paulo. Também fala sobre os outros projetos, como pretende envolver os clientes na nova iniciativa e a avaliação que ele faz sobre o mercado do motociclismo.

?O comprador de motos e do curso é o mesmo que tem potencial de comprar um carro bom. É um perfil que vem crescendo, principalmente porque o Brasil se recuperou rapidamente da crise mundial em todos os setores?, disse Barros.

Leia a seguir a íntegra da entrevista:

Máquina do Esporte: Qual é a origem da ideia de um curso para motociclistas?

Alexandre Barros: A ideia apareceu seis meses atrás, quando eu percebi que as empresas que administram rodovias mostravam uma preocupação cada vez maior com a quantidade de acidentes e a imprudência dos motoristas nas estradas. Comecei a me preocupar também, até porque o mercado de motos vem crescendo bastante. Então fui procurar e vi que não existia um curso assim no Brasil. Resolvi contribuir um pouquinho. Esse é um primeiro passo, mas vamos crescer mais para frente. Pode até ser uma coisa internacional no futuro.

ME: Qual é o público alvo do curso?

AB: O projeto é mais focado nas classes A e B. Vamos montar uma estrutura que também atenda a classe C, mas o perfil é um pouco mais alto. Buscamos aquelas pessoas de 40 ou 50 anos, que compraram a primeira motocicleta, pretendem usar para passeio e ainda não sabem andar. Ou então aqueles que compraram e não têm prática.

Temos um nível com manobras para iniciantes, aqueles que desejam entender melhor os recursos da moto para saber usar na hora do passeio. Também temos um módulo intermediário para quem já sabe andar e até uma categoria avançada, para quem deseja correr. E por incrível que pareça, tivemos grande procura no avançado.

ME: O curso tem participação de empresas para a montagem estrutural. Por que vocês adotaram esse sistema e como funciona o acordo com as marcas?

AB: A ideia é ensinar conceitos de motociclismo, e nós contamos com cinco instrutores para isso. Também oferecemos alimentação completa, sistema de resgate, carro de apoio, mecânica e vistoria, mas temos parcerias com lojas que vendem pneus, gasolina e acessórios. Essas coisas básicas, como freio ou peças, nós optamos por terceirizar porque o consumo é feito na hora. Informamos que todos devem chegar à pista com boas condições, mas é sempre importante zelar por isso.

ME: E a parceria com a BMW, como funciona?

AB: Eles vão fornecer as motos do curso. É uma moto sofisticada, réplica da Superbike, com toda eletrônica usada no MotoGP. É a primeira vez que eles fazem uma moto esportiva de verdade.

ME: Você toca pessoalmente a gestão do curso? Quantas pessoas trabalham com você?

AB: Eu tenho uma parceria com uma agência, que toca a parte de infraestrutura e o comercial. Eu fico mais com técnica e segurança, duas áreas que eu conheço melhor. Separamos mais ou menos assim, com um total em torno de 60 pessoas trabalhando.

ME: Qual foi o investimento para viabilizar o curso?

AB: Prefiro não falar em valores, mas foi bastante [risos].

ME: Como vocês farão a divulgação do curso? Haverá algum tipo de campanha na mídia?

AB: Nós temos um mailing com 35 mil clientes que gostam de motocicletas. Esse é o nosso primeiro foco. Apostaremos em mala direta e ações direcionadas a esse grupo, mas também teremos propagandas em revistas e uma parceria com a revista ?Motociclismo?, que vai sortear um curso entre seus leitores.

Também contratamos uma assessoria de imprensa e apostamos bastante na mídia espontânea. Queremos atrair personalidades, esportistas e atores que gostam de moto para gerar mídia espontânea. Mas o grande foco é o grupo de 35 mil clientes. Se fecharmos com 2% disso, já estaremos com números muito bons. Vamos fazer ações e promoções exclusivas com eles.

ME: Quantos participantes vocês pretendem ter em cada curso?

AB: Como eu disse anteriormente, temos um foco nas classes A e B. Vamos começar trabalhando com motos acima de 250cc, senão a diferença seria muito grande de uma para outra. Teremos 55 alunos por curso, com até 40 no track day. Mas tenho um projeto para ampliar para motos de 125cc, o que aumentaria o limite.

ME: Você também trabalha com material esportivo e câmeras para motociclismo. Como você pretende usar seus clientes nesses segmentos para impulsionar os cursos?

AB: Nós já fazemos algumas coisas como sair da loja e almoçar em algum lugar. Agora, podemos convidar o pessoal para o curso. Vamos juntar as duas coisas, sim. A ideia é fazer a comunicação do curso entre esse público e mostrar o que nós oferecemos.

ME: Com tantos investimentos em motociclismo, qual é a avaliação que você faz do segmento atualmente? O mercado tem crescimento correspondente à evolução da economia no Brasil?

AB: O mercado tem crescido muito nos últimos anos. Nosso cliente utiliza a moto para passeio ? a maioria das pessoas aqui começou com passeios e depois começou a correr. Também tenho gente que comprou motos e quer aprender a andar. É aquele cara com carro bom, com uma casa bacana. O comprador de motos e do curso é o mesmo que tem potencial de comprar um carro bom. É um perfil que vem crescendo, principalmente porque o Brasil se recuperou rapidamente da crise mundial em todos os setores. A mudança nas linhas de financiamento também interfere. Você só podia comprar essas motos em três vezes antes, e hoje pode dar uma entrada de 30% e dividir o restante em até 24 vezes. Isso abriu um leque para classes mais baixas e ajuda a ampliar o mercado.

ME: No começo da entrevista, você disse que teve a ideia de criar um curso de motociclismo porque acompanhou a reclamação de concessionárias de rodovias. Existe algum projeto de desenvolver aulas em parceria com essas empresas?

AB: Não só para as estradas, mas para a cidade. Lancei o projeto, mas gostaria de fazer o que posso fazer para ajudar a dar segurança para as pessoas. Gostaria de conversar com essas empresas, sim. Essa pode ser uma das rotas de crescimento para o projeto no futuro.


Entrevista