O mundo dos esportes virou de cabeça para baixo nas últimas semanas com as mobilizações dos atletas por medidas mais enérgicas contra a desigualdade social e o racismo. Assim como a NBA, a liga feminina WNBA também promoveu o boicote de algumas partidas em forma de protesto.

A pivô brasileira Damiris Dantas, que recentemente estendeu seu contrato com o Minnesota Lynx e é um dos destaques da competição, revelou como foram os momentos que antecederam a tomada da decisão do boicote.

Damiris Dantas mostra a camisa pedindo mais esporte feminino na TV - Foto: Reprodução

"A conversa começou um dia antes sobre o que fazer. Fomos para quadra no dia seguinte prontas para jogar, mas chegando lá encontramos outros times que também estavam insatisfeitos com a situação. Nós sabíamos que a liga estava lutando contra isso desde o início e não estava dando resultado, então nós, as atletas, precisávamos dar um passo a mais", contou a atleta.

Damiris também falou que os atletas precisam usar a visibilidade que têm para dar voz ao movimento e comentou que no Brasil os atletas não possuem muito espaço para fazer esses posicionamentos.

"No Brasil a gente precisa de mais apoio dos clubes e dos patrocinadores para que os atletas se sintam confortáveis para falar. Nós temos que dar as mãos e nos posicionar".

A atleta também falou sobre a falta de reconhecimento das atletas brasileiras negras que jogam na WNBA.

"Será que é mais um racismo rolando por sermos negras?", questionou a atleta. "Eu sou muito próxima da Janeth [Arcain, campeã mundial e duas vezes medalhista olímpica pela seleção] e eu a acho a melhor jogadora de basquete do Brasil, tanto no feminino quanto no masculino, e ela nunca teve o reconhecimento merecido. Eu acredito que pesa muito o fato dela ser negra. Eu espero que esse cenário mude e que a gente possa ter o reconhecimento que a gente merece pelo nosso trabalho e pela nossa luta".

A pivô, porém, nem sempre teve essa destreza para falar sobre esses assuntos tão importantes e relatou que essa vontade de se posicionar "aflorou" quando começou a competir nos Estados Unidos.

"Eu tinha essa vontade, mas era meio acanhada. Quando cheguei aqui, me senti abraçada pelo time e pelas meninas. A equipe nos dá todo o suporte para a gente se posicionar e toda a abertura para falar com a liga", contou.

Protagonismo feminino

Um exemplo para tantas crianças e jovens dentro e fora das quadras, Damiris reconhece a importância que tem cada vez mais para a comunidade.

"Eu me sinto muito feliz de poder representar essas pessoas, de lutar pela nossa causa, de ter essa representatividade, que talvez fosse algo que eu buscava quando eu comecei".

Usando uma camiseta com uma frase pedindo uma maior presença de esportes femininos na televisão, a atleta fez um apelo durante a conferência de imprensa:

 Eu quero ver mais jogos de mulheres na TV, seja de qual seja o esporte. Eu quero que as mídias coloquem as mulheres na TV e que os patrocinadores procurem. Essa é a nossa luta".


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