O Cruzeiro tornou pública, na tarde desta segunda-feira (18), parte da investigação feita nos últimos 70 dias pela empresa de compliance Kroll. A auditoria apontou diversas irregularidades na gestão do clube, com pagamento indevido de comissões a agentes, a conselheiros cruzeirenses e uso de cartão corporativo, causando um desfalque de quase R$ 40 milhões aos cofres.

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O relatório completo, feito a partir da análise de 1.116 transações financeiras do clube, 795 documentos, entrevista com 645 pessoas e mais de 800 trocas de mensagens eletrônicas, foi encaminhado ao Ministério Público de Minas Gerais e será repassado à Polícia Civil, que poderá indiciar o ex-presidente Wagner Pires de Sá e outros antigos conselheiros e dirigentes do clube dentro do processo.

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Nas investigações, a Kroll detectou pagamento de R$ 13,2 milhões em comissões dentro de contratos de atletas que não foram computadas nos registros da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), prática que fere o Regulamento Nacional de Registro e Transferência de atletas. Além disso, direitos econômicos de atletas foram dados como garantia de pagamento de dívidas, outra prática que vai contra o regulamento da CBF e da Fifa.

Outras irregularidades vistas dizem respeito ao pagamento de intermediação em contratos com atletas menores de idade, pagamento de salários a pais de atletas das categorias de base e o pagamento de R$ 6 milhões a empresas ligadas a 52 conselheiros do Cruzeiro, prática que é proibida pelo estatuto do clube mineiro.

Ao todo, R$ 39,2 milhões foram gastos de forma indevida pela gestão cruzeirense entre 2017 e 2019. No ano passado, o clube acabou rebaixado pela primeira vez na história para a Série B do Campeonato Brasileiro, o que agravou ainda mais a crise interna.


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