Na última semana, a Nike arriscou: para celebrar os 30 anos do slogan Just Do It, apoiou o atleta Colin Kaepernick, pivô de toda polêmica que envolveu protestos de jogadores da NFL durante o hino dos Estados Unidos. E, apesar de manifestações contrárias ao posicionamento da companhia em postagens nas redes sociais, os ganhos da empresa foram palpáveis.

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A empresa de pesquisa Edison Trends mediu o desempenho da Nike durante a semana seguinte ao anúncio de Kaepernick como embaixador da marca. A resposta foi bastante positiva: a marca teve um aumento de 31% nas vendas on-line.

Esse bom desempenho no varejo, mesmo que seja apenas uma parte do mercado, foi acompanhado com a subida do valor das ações da empresa. Logo após o anúncio da campanha, os títulos da companhia americana tiveram uma baixa expressiva, superior a 3%. Mas esta baixa durou pouco. Nesta segunda-feira (10), a marca já tinha praticamente igualado os valores pré-polêmica. Em pouco tempo, o caso Kaepernick pouco interferiu no valor de mercado da Nike.

De maneira geral, a empresa também se beneficiou da enorme repercussão que o caso atingiu. Uma agência especializada em mídias digitais, a 4CInsights, mediu o tamanho da campanha nas redes sociais. Nos dias seguintes, as citações à Nike subiram 1.678%, o que inclui também o tuíte provocativo do presidente americano Donald Trump questionando a decisão da marca.

Na última quinta-feira (6), a Nike foi além das redes sociais e aumentou o alcance da polêmica ao colocar na televisão um anúncio com Colin Kaepernick. “Louco não é um insulto, é um elogio”, dizia o atleta do futebol americano.

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Nem tudo foram boas notícias, claro. Nesta segunda-feira (10), vazou a informação de que os protestos contra a marca foram além do boicote de alguns internautas. O prefeito de Kenner, uma pequena cidade no estado de Louisiana, enviou um memorando ao diretor de parques e recreação do município para pedir a suspensão da compra de qualquer produto que tenha o logotipo da Nike.

O mesmo aconteceu numa faculdade da Georgia: o presidente da instituição de ensino resolveu ir a público para dizer que não permitiria mais a compra de produtos da Nike. Os materiais existentes da marca seriam vendidos, e a verba, doada.

Aparentemente, no entanto, nem prefeituras nem universidades nem internautas raivosos têm incomodado a Nike e as suas vendas após o polêmico comercial veiculado.

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