Aparentemente, depois de anos de conversas e negociações que foram mal sucedidas, o Brasileirão finalmente tem um plano de internacionalização por meio dos direitos de transmissão. Algo absolutamente básico, mas que nunca havia saído do papel no Brasil. O problema é que há uma série de outros itens básicos que ainda não virou realidade. Hoje, o Brasileirão é um produto ruim, e talvez essa nova fase deixe isso claro.

Isso porque os atuais gestores desses direitos internacionais terão muita dificuldade em colocar o produto nacional para o público estrangeiro. Provavelmente, o sucesso estará ligado a brasileiros no exterior. Não é difícil imaginar que a Fanatiz, por exemplo, tenha êxito nos Estados Unidos ou em Portugal.

Para o público estrangeiro, convencer alguém a assistir ao Brasileirão, algo fundamental para a popularização global da liga e dos times, será um desafio ingrato. Calendário terrível, jogos sofríveis e estádios vazios compõem o cenário da mediocridade que é o maior torneio do Brasil. Quem o verá?

No último fim de semana, houve bons exemplos disso. O primeiro, claro, com a final do Paulistão de baixíssimo nível técnico entre Palmeiras e Corinthians. E, pior do que isso, o histórico papelão de um jogo cancelado a dez minutos para o início graças a uma enorme trapalhada da CBF. Imagine para uma emissora estrangeira o drama que seria a troca de jogo em cima da hora.

Para ser otimista, há uma esperança: que esse deslocamento internacional sirva para algumas reflexões internas. Foi como o banho dado por técnicos estrangeiros que fez com que muitos clubes repensassem a presença de velhos treinadores. Se o mercado de fora rejeitar o futebol pentacampeão, há algo de errado. E, poucos têm dúvida, há muita coisa de errado no Brasileirão.

Esse é um torneio que parece não ter dono. Os direitos de TV são uma bagunça, e ninguém parece cuidar da imagem dele. Somente há poucos anos ele ganhou uma marca e uma presença nos meios digitais, além de protocolos de apresentação. Fatores tão básicos que pouco influenciam no valor do produto.

Para ser relevante, os clubes brasileiros precisam de um plano consistente para lotar arquibancadas, reter jovens talentos e evoluir tecnicamente. Como não é algo simples, passou da hora de dar os primeiros passos. 

 


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