O Campeonato Paulista entrou na fase eliminatória e, logo na primeira partida, uma zebra: o São Paulo foi eliminado pelo Mirassol. Nas últimas dez finais do torneio, quatro vezes houve um pequeno em campo, com um título para o Ituano. A constância de resultados inesperados tem muito a ver com o modo discutível de como os grandes investem.

No Brasil, o cenário é comum. Um time como o São Paulo, que fatura R$ 400 milhões ao ano, cai para um adversário que recebe 2%, 3% desse valor. A eliminação do time do Morumbi não foi histórica porque, no próprio Paulistão, é recorrente a queda do grande. Mas não é algo que acontece nos maiores centros. Se o Barcelona jogar dez vezes contra o Getafe, vai ganhar nove. E o abismo financeiro é muito menor do que o visto entre um São Paulo e um Mirassol.

Isso acontece, claro, porque a diferença técnica entre as duas equipes não é tão acentuada. O futebol brasileiro tornou comum a presença de alguém do terceiro escalão europeu sem necessariamente investir no desenvolvimento de novos talentos. Na prática, o processo passado pelo jovem jogador do time grande é o mesmo do time pequeno.

Isso é um erro técnico e financeiro. No início deste século, o próprio Barcelona, ainda longe das principais potências financeiras de Europa, resolveu fazer uma conta básica e descobriu que cada jogador da base que conseguia chegar ao profissional custava  2 milhões ao clube. Um valor muito mais interessante do que as grandes contratações. Nessa linha, surgiram Messi, Xavi e Iniesta, entre tantos outros.

Há, no Brasil, uma confusão entre investir na base e apostar na base. Investir não é só colocar a molecada para jogar. Demanda um deslocamento de verba e, o que sempre é um grande drama, longo prazo. Nem é o caso do São Paulo, mas a maioria dos grandes times brasileiros não tem nem mesmo um centro de treinamento aceitável para os mais jovens. Não há planejamento de desenvolvimento físico, tático. Para a comissão técnica, não há o incentivo à busca por novos cursos e intercâmbios, e sobram aos times a mesmice. Ou, como faz o Flamengo, resta buscar algo no segundo ou terceiro escalão da Europa.

Desenvolver talento demanda verba e tempo, e esse é um luxo que só os grandes do país podem ter. Desse modo, a distância estaria sempre acentuada.


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