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Análise: Super Bowl é evento inviável no Brasil

por Erich Beting - São Paulo (SP)
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Um evento impossível de ser reproduzido no Brasil. Essa foi a constatação que cheguei ao acompanhar, da televisão, a mais um Super Bowl neste último domingo (2). Mas, dessa vez, não foi a organização impecável do evento que chamou a atenção e que levou a essa conclusão que parece melancólica.

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O caso, agora, é bem diferente. Provamos, com Copa do Mundo e Jogos Olímpicos, que há capacidade intelectual, organizacional e técnica para fazermos grandes eventos. Em 30 minutos, dá para fazer um show de intervalo com artistas consagrados, espetáculo audiovisual e tudo mais. É muito mais por uma questão de não se investir em nada além do esporte dentro de campo que não temos algo diferente aqui no Brasil.

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Mas o ponto de debate é outro. A maneira como se distribui ao longo do tempo a transmissão do esporte mais bem remunerado do planeta é que mostra ser inviável fazer algo parecido com isso por aqui.

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O Super Bowl é o evento que traz o casamento perfeito entre o esporte, a mídia e o anunciante. Note que não usei a palavra patrocinador, mas anunciante.

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No mundo não existe qualquer outra modalidade que se permita ser tão formatada para a televisão e para o mercado publicitário quanto o Super Bowl. É isso que também faz com que tenhamos os valores exorbitantes cobrados na mídia para o intervalo de 30 segundos durante o jogo final.

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É só ver como foi recheada de publicidade a transmissão da ESPN aqui no Brasil para constatarmos que não é só a qualidade do produto que ajuda, mas a forma como ele é organizado para ser pró-publicidade a qualquer momento de respiro em campo. A NFL soube transformar o seu evento em um show pensado para a televisão que também é um baita evento esportivo legal e imprevisível para quem o acompanha.

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O futebol jogado com os pés, ao contrário, não se permite ser algo mais do que um evento esportivo. Há mais de um século, é jogado da mesma forma, com as mesmas regras e algumas pequenas variações. A publicidade, se quiser, insere-se dentro dele de forma passiva. O protagonismo é exclusivamente do esporte.

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Em um país em que o futebol é a paixão, é inviável pensar que conseguiremos construir algo parecido com o Super Bowl. Pelo menos no que diz respeito ao formato e à atração da mídia para ele. Fora de campo, porém, tudo é possível. Para isso, basta haver o interesse de quem trabalha no esporte (seja na gestão ou na mídia) em olhar o jogo não como um produto esportivo, mas como um produto de marketing.

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