A indústria do esporte é um dos segmentos que tem sofrido bastante com a quarentena imposta para combater o coronavírus. Times tiveram forte queda na receita, a mídia ficou sem conteúdo e os patrocinadores começam a dar sinal de que há um limite no fôlego financeiro para manter os investimentos sem ter o retorno planejado. Mas ao menos algo ficou claro nesse período: o mundo sofre sem as disputas esportivas, que certamente voltarão ainda mais fortes.

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Um grande exemplo da carência da população para algo que remeta ao esporte pôde ser visto na noite da última terça-feira (31). Ao menos na região central de São Paulo, houve uma manifestação nunca vista no anúncio da saída de Prior do Big Brother Brasil. O programa global não vivia seus melhores momentos, mas a edição deste ano ganhou contornos de final de Copa do Mundo, muito graças à quarentena.

Há uma explicação fácil para isso: o BBB se tornou a única competição ao vivo transmitida na televisão. Torcer apaixonadamente e se unir em torno de um nome é algo típico do esporte, mas o reality show acabou concentrando esse poder de engajamento. O resultado foi uma eliminação com 1,5 bilhão de votos e gritos enfáticos nas janelas de prédios. Típicos de jogo decisivo.

O BBB não é o único exemplo notável. O avanço de atletas e torcedores para as plataformas digitais, com transmissão ao vivo de jogos virtuais, também deixa claro a necessidade que as pessoas têm de acompanhar uma disputa. Os e-Sports, em crescimento nos últimos anos, tiveram um grande pico no último mês, quando as pessoas ficaram órfãs do esporte tradicional.

 

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O mundo virtual pode sobreviver sozinho, sem dúvida, mas a ausência das disputas antigas, sejam nos Jogos Olímpicos ou nos campeonatos de futebol, fez que com muitos migrassem para as exibições no Twitch. Na rede social, a torcida fica diversificada, tanto para o atleta que representa sua equipe nos campos do Fifa ou para aqueles rostos conhecidos que passam a se arriscar nos tiros de Call of Duty.

Não é incomum ver grupos de pessoas e até de representantes de marcas que, de alguma forma, subestimam o poder de engajamento que os jogos produzem. Ignoram que os primeiros sinais de competição esportiva datam de 2 mil anos antes de Cristo e que, portanto, essa é uma atividade historicamente enraizada nas relações humanas.

Ou seja, se há algo que o mercado pode absorver neste período de incertezas é a garantia de que não há poder maior de entretenimento do que o bom e velho esporte.


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