A paralisação gerada pelo coronavírus não tem lado bom: o surto de Covid-19 tem matado pessoas, sufocado sistemas de saúde e freado a economia global. Mas isso não significa que o esporte não possa aproveitar a oportunidade para repensar algumas coisas. No Brasil, isso passa pelo ajuste do calendário, um antigo problema que empobrece o mercado do país.

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A parada forçada pelo Covid-19 gerou um período de férias para os jogadores. O retorno não deve acontecer em menos de duas semanas. Por que não, então, pensar em um calendário ajustado ao europeu, como uma temporada 2020/2021?

Por ora, a ideia tem sido debatida apenas pela imprensa esportiva. Alguns profissionais, como Paulo Vinícius Coelho, do Grupo Globo, defenderam a mudança. Entre os dirigentes, não houve sinalização para esse caminho. Mas não poderia ser diferente, a considerar que as decisões sobre a paralisação aconteceram entre o fim de semana e esta segunda-feira (16).

Há boas vantagens na mudança do calendário. A principal é o tempo livre para os eventos de meio de ano. Em 2020, por exemplo, seria a Copa América a ficar no meio do Brasileirão. Outra questão relevante é a manutenção de jogadores por toda a temporada, já que a janela de transferência mais forte acontece em julho na Europa.

Neste ano, há uma oportunidade rara para fazer o novo calendário sair do papel. A pausa gerada no futebol é global, e até a Libertadores poderia ser enquadrada no novo cenário sem maiores impactos. O problema é que não seria a primeira vez que isso seria possível. E, nas últimas oportunidades, houve uma enorme resistência da maioria dos cartolas brasileiros.

Em 2009, por exemplo, a própria Confederação Brasileira de Futebol (CBF), ainda com Ricardo Teixeira, chegou a sugerir a mudança. O calendário seria alterado apenas em 2012, por questões comerciais, mas nunca saiu do papel. Em 2014, houve mais uma boa janela, com o futebol nacional parado por mais de um mês graças à Copa do Mundo no país.

Neste ano, há um grande diferencial: os Estaduais acabaram. O baixo público nos estádios e o crescente desinteresse da mídia, com a provável retirada da Globo dos torneios, deixam claro que as disputas não devem ir além de 2021, último ano do acordo da emissora com o Campeonato Paulista. Basta um encaixe nas duas próximas temporadas, e as disputas regionais passam a compor a história do futebol. Parece razoável, e não discutir o assunto com seriedade seria um desperdício.


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