O Flamengo optar por assinar com a Amazon e mudar o posicionamento do banco BS2 na camisa do time é um negócio completamente compreensível. Mas o negócio com a gigante do e-commerce e uma das maiores empresas do mundo é também algo que mostra a dificuldade que o futebol brasileiro tem em mostrar para as marcas que o negócio vai além da força de mídia.

O Flamengo deve se tornar, com esse acordo, o time com a camisa mais valiosa do Brasil. Ao todo, passará de R$ 100 milhões o quanto o clube recebe em patrocínios. É um número espetacular, até porque o concorrente direto dele nessa briga, o Palmeiras, não tem um projeto de patrocínio, mas de mecenato da Crefisa/FAM.

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Só que quando analisamos com a lupa esses acordos, percebemos como o mercado brasileiro ainda carece de maior maturação. Para ultrapassar os R$ 100 milhões em patrocínios, o Flamengo precisou "entregar" nove espaços diferentes em seu uniforme e, dessa forma, convencer as marcas a assinarem contrato com ele.

O próprio negócio com a Amazon tem como grande atrativo o apelo midiático do Flamengo, time que terá maior exposição em TV aberta na Libertadores e que também consegue ter maior repercussão continental dada a boa fase em campo.

Curiosamente, o clube poderia já ter um acordo comercial de longo prazo com a Amazon, uma vez que a empresa já fez o documentário sobre o Mundial de Clubes que o time rubro-negro disputou no final do ano passado. Não era preciso o negócio envolvendo o patrocínio para as marcas se relacionarem. Mas ele, logicamente, tornou-se maior.

Assim como foram com os bancos digitais, que usaram a força de mídia dos clubes para construírem suas marcas, a Amazon agora enxerga no Flamengo a oportunidade perfeita para ter mídia recorrente a um custo mais baixo que da publicidade.

A exposição logicamente é a moeda mais "palpável" para mensurarmos o retorno de um investimento no esporte. O problema é quando os clubes deturpam a própria marca para oferecer o espaço mais nobre que possuem a diversas outras empresas.

Nos últimos sete anos, o Flamengo tem trabalhado para chegar ao tal "outro patamar" na área de gestão. Conseguiu, com muito esforço e perseverança, chegar a esse status. O clube poderia aproveitar e tentar mostrar ao mercado como se investe em um projeto de patrocínio esportivo sem precisar desesperadamente da exposição da marca. Mas o possível acordo com a Amazon mostra que a mídia ainda é a fortaleza do futebol.


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