Briga de liminares na Justiça, contaminação em larga escala pelo Covid-19 de atletas de alguns clubes que jogam as principais divisões do país, jogos adiados após quatro horas para se tomar uma decisão. O futebol brasileiro vive, em alguns momentos, uma situação precária de organização, gestão e tomadas de decisões que lembram o Haiti.

Por outro lado, temos também algumas ilhas de prosperidade que servem de alento para o futuro da indústria. Parecemos alemães na organização, geração de receita e, naturalmente, eficiência na execução de uma tarefa.

Em quase 1h de bate-papo com o diretor de marketing da IBM, tivemos ao nosso lado alguns bons exemplos de Alemanha do futebol brasileiro. Entender que é preciso gerar receita e que não há nada de errado nisso é o primeiro passo para que possamos mudar o chip do fracasso retumbante para a construção de um projeto muito mais ambicioso.

 

O problema é que acabamos tendo momentos muito mais para o Haiti do que a Alemanha. E é isso o que mina toda a fama da nossa indústria. O futebol brasileiro é um excelente produto. Ou melhor. Seria, se toda a cadeia produtiva da modalidade estivesse de fato comprometida a entregar o melhor para o seu cliente.

A briga de liminares na Justiça para definir quem transmite jogos do Brasileiro causa mais apagões nas transmissões do que se estivéssemos com a antiga lei, criticada amplamente por causar apagões, vigorando sem solavancos.

Soma-se a isso a incapacidade dos departamentos médico e técnico da CBF de não estudarem com Bundesliga, NBA, MLS, Uefa, LaLiga, Premier League e quetais como se deu a volta dessas competições em segurança, e mais uma vez deixamos de lado um importante ator da indústria: o atleta.

O futebol brasileiro precisa entender que o principal produto dele não é o patrocínio, o contrato de transmissão, etc. O negócio dele é entregar a melhor experiência de consumo para milhões de pessoas que gostam de futebol. Para fazer isso, ele precisa preservar dois princípios básicos: a qualidade do jogo e a segurança e integridade física dos atletas, que são quem fazem o jogo.

Enquanto isso não for regra, seguiremos a oscilar Haiti e Alemanha, sendo que temos bagagem de sobra para ficarmos mais próximos dos europeus.


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