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Análise: Nova briga mostra TV parada no futebol

por Duda Lopes - São Paulo (SP)
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O ano era 2003 quando o futebol brasileiro viveu um dos maiores constrangimentos com direitos de televisão. Na briga dos bastidores entre Globo e SBT, não faltaram baixarias: liminares em cima da hora, atrasos e adiamento de jogos e até mesmo narradores barrados nos estádios. Um enorme tumulto que terminou com o mesmo vencedor: no ano seguinte, Sílvio Santos não teve força para fazer novos investimentos.

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Dezessete anos depois, o que se vê é um cenário muito semelhante, o que é uma afronta ao tanto o que o futebol cresceu como negócio. Os valores subiram, as entregas ficaram mais sofisticadas, mas o mercado de transmissão esportiva ficou parado. Dos dois lados. Os clubes foram incapazes de se organizar para ter uma venda mais racional, e as emissoras não conseguem fazer frente à Globo. No fim, o caos permanece como sempre foi no Brasil.

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A solução mais óbvia seria a venda em conjunto pelos direitos de televisão, caminho que ficou ainda mais distante neste ano com a possibilidade de uma nova lei dar o direito de arena ao mandante. A própria formulação da Medida Provisória foi simbólica de como as coisas funcionam no país. O presidente da República, na base da canetada, assinou um documento que não era urgente e que não teve nenhuma discussão pública, sem a participação dos agentes-chave para a mudança. Enquanto países como a Espanha usaram o Estado para garantir um negócio esportivo mais sustentável, aqui venceu o populismo barato e o lobby míope de interessados poderosos.

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A Globo, por sua vez, convive com inimigos efêmeros. A Turner se junta a outras emissoras que tentaram tirar o domínio do canal no futebol por meios questionáveis, mas que se mostraram incapazes de manter o negócio, nos valores vigentes, em longo prazo. Assim como o SBT saiu de cena em 2004, os americanos devem fazer o mesmo nos próximos meses.  

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Enquanto isso, os clubes cariocas não sabem o que fazer sem a Globo no Estadual do ano que vem e, certamente, a Conmebol irá correr para renegociar com a emissora pela Libertadores. E assim caminha o futebol brasileiro, como um monte de crianças birrentas com uma enorme dificuldade para sentar em uma mesa e tocar negócios da maneira mais saudável e sustentável.

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