Em uma das maiores crises econômicas dos últimos tempos, a Conmebol tomou uma decisão que é difícil de entender: resolveu tirar visibilidade da Libertadores em seu principal mercado. E fez isso com aquela organização característica: em cima da hora, com pouca informação.

A Conmebol começou a sequência de erros com a recusa em conversar com o principal parceiro durante uma enorme crise econômica e cambial no mercado brasileiro. O pedido da Globo fazia sentido, mas a entidade, para não sinalizar uma renegociação de contratos, não recuou. E terminou com um acordo com o SBT que entrega menos e, também, renderá menos dinheiro.

Deixar a Globo é sempre complicado. A emissora entrega sempre audiência alta, transmissão qualificada e segurança aos parceiros, um nível mais alto que leva despreocupação às marcas de uma possível associação a algo malquisto. Ainda que possa não ser dito diretamente, empresas como Qatar, Amstel e Mastercad, patrocinadores da Libertadores, vão sempre preferir o canal.

O problema da TV aberta, por outro lado, parece pequeno em comparação à TV fechada. O Sportv era canal básico das operadoras, e a Libertadores um dos seus principais produtos. Tê-lo como parceiro era garantia de boa distribuição. Agora, seus jogos ficam com alcance muito limitado. A começar pelas operadoras. Eu, por exemplo, sou assinante de outro provedor, que não é a Sky, nem a Claro. Ficarei sem Libertadores. O preço, aliás, não é nada convidativo para uma entrega tão pequena, a considerar que serão poucos os jogos que os torcedores não terão na Fox, no Facebook ou no SBT.

Encolher no principal mercado sul-americano parece uma decisão estranha, até por não ser provisória; o acordo com o SBT irá até 2022, mesmo período que abrange o novo sistema de pay-per-view. Termos longos anos para ficar com menos receita e menos visibilidade no Brasil após a crise passar.

A Libertadores se transformou nos últimos anos especialmente pela maior atenção que o mercado brasileiro passou a dar ao torneio. Hoje, a FC Diez Media, união da IMG com a Perform para gerir as propriedades da Libertadores, consegue vender o torneio a marcas premium, algo difícil de imaginar há poucos anos. E impossível sem o forte alcance de mídia no país.


Notícia Mídia Marketing Gestão SBT Globo Conmebol Libertadores