A pergunta veio durante a Live da Máquina do Esporte desta segunda-feira (6) com Guilherme Buso, diretor de comunicação da Liga Nacional de Basquete (LNB). O que a live dos sertanejos ensina para o mercado esportivo?

Nós dois fomos rápidos em dizer exatamente o oposto. O sucesso que os artistas têm tido com a transmissão de shows ao vivo por streaming mostra algo que o esporte sabe muito bem como funciona há, pelo menos, quase 60 anos. Restringir o evento ao vivo apenas para o público presente a ele é uma tremenda falta de visão.

O esporte sofre, agora, exatamente por não conseguir fazer o seu espetáculo acontecer. Diferentemente do artista, que pode tocar sua música de dentro de casa ou da garagem e alcançar milhões de pessoas, o atleta precisa do palco para poder atuar.

E é exatamente esse o aprendizado que o esporte passou para a música. Há uma fonte de receita poderosíssima muito além do direito autoral sobre a música, do patrocínio às turnês pelo mundo ou da bilheteria da arena lotada para um só show.

Não houve nenhuma inovação no que fizeram Jorge e Mateus no final de semana. A diferença é que, diferentemente do que acontece com o esporte, praticamente não havia nenhuma concorrência.

A reinvenção do esporte nos próximos meses passa exatamente pelo processo inverso. Com a falta de eventos para serem realizados, como fazer para atrair o torcedor, reter sua atenção e gerar negócios?

Até agora, a palavra "criatividade" teve uso recorrente para diversos gestores. Temos de olhar e repensar o que fazíamos com a produção de conteúdo, que quase sempre é baseada no evento ao vivo. É, basicamente, fazer o processo inverso ao do e-Sports, que começou no digital e migrou para o encontro presencial.

O esporte tem muito a ensinar para o mundo da música. Só que tem um negócio que é preciso aprender: como licenciar o seu maior produto e revendê-lo sem precisar do "ao vivo" para ganhar dinheiro. O esporte precisa olhar para o licenciamento como a música fez com os seus artistas. É como se o jogador vendesse mais a cada gol.

Os atletas são, hoje, os grandes protagonistas. Já passou da hora de eles começarem a trabalhar para promover suas marcas e de seus parceiros. Nesta semana, Cristiano Ronaldo lançou um desafio de abdominais em parceria com a Nike. Por que a Juventus não consegue usar também a imagem do seu astro? Está na hora de as entidades explorarem mais os seus atletas. E fazê-los gerar negócio para além do dia em que ocorre o evento.


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