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Análise: Mudança em direitos só virá na "canetada"

por Erich Beting - São Paulo (SP)
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A mudança do sistema de vendas de direitos de transmissão no mercado brasileiro só conseguirá ir para frente se houver uma força de lei para isso. Não, isso não é uma crítica à incapacidade dos clubes de enxergar o óbvio. O Brasil hoje é o país que prefere ficar ao lado de Laos e Lesoto na questão de vendas de direitos de mídia, em vez de seguir o que fazem Inglaterra, Itália e Espanha.

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E isso só vai mudar quando vier uma canetada do governo. Por quê? Porque foi assim que Inglaterra, Itália e Espanha tiveram que mudar, após criações de leis que determinaram a venda em conjunto para, depois, os clubes dividirem o dinheiro da TV.

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Desde sempre, os clubes maiores e mais fortes tiveram muito mais voz na hora de discutir o contrato de televisão. No Brasil ou na Europa, a lei do mais forte sempre prevaleceu. Por lá, o estrago provocado por isso foi maior. O predomínio de Barcelona e Real Madrid na Espanha, a força do Olympique de Marseille na França, o triunvirato de Inter de Milão, Juventus e Milan na Itália. Tudo isso estava dentro de um sistema que era inquebrável pelos clubes menores. Por mais que houvesse uma liga, não se mexia no contrato de mídia dela.

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Isso tudo mudou quando, em 2003, a Inglaterra decidiu levar ao governo o debate sobre formação de cartel e livre concorrência na venda de direitos de mídia.

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À ocasião, o processo era para tentar favorecer os torcedores, que tinham sido privados de ver seus times em TV aberta no novo contrato firmado pela Premier League com a BSkyB. O governo britânico levou para a União Europeia o debate, e a conclusão foi de que o melhor modelo de venda de direitos no mundo, àquela época, era o brasileiro. Venda coletiva, repartição dos valores como cada liga quiser e distribuição em qualquer plataforma de mídia.

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Por lá, foi preciso um órgão que analisasse a concorrência perceber que a venda coletiva de direitos é essencial para dar mais força aos clubes em uma discussão com a TV e para evitar que o abismo entre clubes fique ainda maior. Por aqui, a legislação favorece a venda coletiva, mas rasgamos esse conceito para apostar em um modelo que o restante do mundo comprovou ser mais prejudicial para o próprio negócio.

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Agora, será preciso que um órgão de análise de concorrência brasileiro determine que as vendas de direitos sejam coletivas para voltarmos ao estágio em que estávamos há 20 anos. Parece um absurdo, mas é o único jeito de sonharmos em ter um futebol mais forte para poder discutir de igual para igual com a mídia pela primeira vez.

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