O consumidor da Máquina do Esporte já sabe a enorme crítica que fazemos em relação aos desdobramentos da Medida Provisória dos direitos de transmissão editada há quase um mês pelo governo. Na tentativa de empoderar os clubes, a legislação pode acabar aumentando o abismo que separa grandes de médios e simplesmente aniquilar os pequenos.

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Um claro exemplo dessa situação vem do momento atual do futebol. A balbúrdia dos direitos de mídia do Campeonato Carioca, que começou a ser exibido na Globo, teve um apagão de jogos do Flamengo, foi parar no YouTube dos clubes e vai terminar no SBT mostra o quão despreparados estamos para lidar com o tema direitos de mídia dentro das lideranças do futebol brasileiro.

Sim, é muito legal ver mudanças em um mercado que é praticamente imutável há pelo menos 20 anos. Mas estamos olhando apenas para os próprios calos que apertam os clubes e sua relação com a mídia, e esquecendo-se do principal, que é atender o consumidor.

É impressionante como o futebol no Brasil adora diminuir o alcance do seu produto. E, pior, não nos damos conta disso. Quem hoje sabe como ver a final do Campeonato Carioca se não o torcedor fanático, o cliente assíduo? A chave para o crescimento de grandes eventos esportivos é criar o desejo de consumo ao maior número de pessoas. No Brasil, o futebol, que é o único esporte popular, fecha-se mais ao nicho.

Presos à opinião das redes sociais, que é exatamente fechada dentro de um nicho de pessoas grandemente interessadas naquele assunto, achamos que os desdobramentos das disputas pelos direitos de mídia são um sucesso. Olhamos para números superlativos do universo da internet esquecendo que eles representam 10% do alcance que a TV aberta ainda tem no nosso país.

Em meio a esse cenário, é um alento ter, nesta quarta-feira (15), jogos exibidos tanto na TV aberta quanto nos canais dos clubes no YouTube. Se souberem criar uma comunicação envolvendo as duas plataformas, os times poderão falar diretamente com o fanático na internet e se aproximar do público maior da TV.

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Em meio a renegociações com a mídia, os clubes podem usar as eventuais reduções de investimento para tomar para si o uso do conteúdo dos eventos. É o primeiro passo para ter mais poder, mas sem deixar de atender o torcedor.


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