A NBA pensou, planejou e resolveu mudar todo o seu sistema de disputa. E não recebeu grandes resistências para isso. Essa foi mais uma demonstração de como o mercado esportivo mais profissionalizado dos Estados Unidos é pouco conservador. Se a mudança for interessante economicamente ou simplesmente for mais prática para o atual contexto, eles vão fazer. E isso é algo que o gestor brasileiro deve estar atento.

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Isso porque os tempos são difíceis e exigem mudanças. O Brasil se tornou o segundo país com mais casos de Covid-19, e os dados revelados nesta semana sobre as mortes por síndrome respiratória deixam claro que existe um enorme problema de subnotificação. Graças a uma desastrosa política pública de saúde, a situação é grave e não chegou ao pico. Pensar em retorno regular de uma temporada de futebol em breve é pura fantasia. Ou irresponsabilidade.

Portanto, assim como aconteceu na NBA, os dirigentes brasileiros terão que ser criativos neste momento. Sem público nas arquibancadas, o futebol alemão tem provado que o mando de campo perde completamente a relevância. Será que é necessário fazer jogos cada um em suas respectivas cidades e seus respectivos estádios convencionais, cada um apenas com o vazio e o silêncio das cadeiras?

Há alguns meses, surgiu a possibilidade de concentrar as partidas do Brasileirão no estado de São Paulo, local com mais times na Série A e com melhor estrutura para receber as equipes. Seria um modo de evitar as viagens dos times e, assim, diminuir as possibilidades de transmissão do Covid-19. A ideia foi publicamente rechaçada por alguns dos principais times do país. É difícil dizer se essa era mesmo uma solução plausível, mas é preocupante a falta de iniciativa para o diálogo e para o afunilamento de ideias para se chegar mais perto do ideal.

Alguns dirigentes não querem mudança na fórmula de disputa, na renumeração de televisão e nem abrem mão de jogar em casa, como se isso fizesse qualquer diferença. Eles batem o pé para fingir que nada aconteceu. Fazem até apelo em Brasília para o retorno imediato, sem considerar a morte de 34 mil brasileiros até o momento, em contagem atualizada nesta sexta-feira (5).

Não faz sentido a NBA mudar sem hesitar, e os brasileiros serem tão resistentes às necessidades impostas pelo contexto. É preciso aceitar que este será um ano totalmente atípico. Não tem jeito.


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