Na edição de terça-feira (26) do Boletim Máquina do Esporte, mostramos como o futebol tem crescido globalmente, graças ao maior apelo que o esporte tem conseguido em mercados em que ele ainda é pouco estabelecido. Mas esse não é o único espaço que a modalidade tem para angariar novos fãs; a chave está no público feminino.

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Segundo o estudo da Nielsen Sports, entre os 18 principais mercados do mundo, há uma enorme diferença entre o interesse pelo futebol por parte dos homens e por parte das mulheres. Precisamente, 54% contra 31% do público feminino.

A distância passa diretamente pelo ambiente machista que circula o futebol e que, nesta Copa do Mundo, graças à fácil circulação de vídeos, ficou explícito em diversos casos entre torcedores.

Mas há também um problema de representatividade na grande mídia. Quando todo um espetáculo é conduzido por homens somente, fica difícil acreditar que aquele seja um espaço amigável, que abrace o entretenimento de todos. Esse aspecto específico é que tem mudado. E a Copa do Mundo deste ano é simbólica pela inédita importância que as emissoras têm dado a profissionais femininas.

No Brasil, o exemplo disso está no Fox Sports, com a narração de Isabelly Morais. A jovem jornalista é apenas a primeira mulher a narrar uma partida de Copa do Mundo no país, um dado que deixa claro o quanto profissionais femininas são marginalizadas nesse meio.

A chegada delas não está limitada ao Brasil. Na Fox dos Estados Unidos, a ex-jogadora Aly Wagner tem feito comentários para a Copa do Mundo. No Reino Unido, a BBC conta com a participação de Vicki Sparks, a primeira comentarista mulher na história das transmissões de Mundial da emissora britânica.

Está na BBC, por outro lado, o maior exemplo de que a vida dessas mulheres não será fácil neste primeiro momento. Na última semana, virou polêmica no país a declaração do ex-jogador Jason Cundy, que afirmou que os comentários de Sparks eram “estridentes” e que não combinavam com o futebol.

Saber como envolver as mulheres no futebol é uma iniciativa obrigatória para quem quer ampliar o alcance do esporte, ainda que haja resistências neste início. E a Copa do Mundo é o momento ideal para isso, quando uma parte maior da população está disposta a dar atenção à modalidade. O que não pode acontecer é deixar a estratégia em segundo plano quando a bola parar de rolar nos gramados da Rússia. Como sempre, longo prazo é fundamental.


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