Já havia abordado esse tema há algumas semanas por aqui. A paralisação que a pandemia provocou no esporte brasileiro deixou claro que existe uma tremenda diferença entre estar presente no meio digital e ser efetivamente uma empresa ou entidade esportiva com uma mentalidade digital enraizada em suas ações.

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Uma das transformações mais nítidas do atual período pelo qual o mundo passa é de que as conexões digitais, que vinham crescendo, passaram a ter um domínio muito maior sobre todo tipo de relação. Ou você se adapta a isso, ou pode esquecer.

A iniciativa tomada pelo Aarhus, da Dinamarca, é um exemplo de como faz muita diferença ter a mentalidade digital. Colocar torcedores virtualmente dentro do campo de jogo já era um negócio que vinha sendo adotado por alguns clubes e modalidades que já podem vislumbrar o retorno de seu calendário de jogos no horizonte.

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O Borussia Mönchengladbach, da Alemanha, por exemplo, programou um belo uso de manequins com rosto de seus torcedores durante os jogos em casa na Bundesliga. O beisebol em Taiwan já contou com uma ação de marketing da Rakuten com robôs e manequins para enfeitar o estádio durante os jogos e interagir com as dezenas de fãs que tiveram o acesso liberado à partida.

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Mas a diferença do que propõe o Aarhus é exatamente olhar o estádio como uma solução para manter a conexão entre time e torcida, ao mesmo tempo que cria um projeto que pode representar algo valioso para torcedores e para o próprio clube. O "piloto" que o clube lançará no próximo dia 29 de maio pode tranquilamente se transformar numa regra. E, se isso vier a acontecer, será preciso repensar completamente a fonte de receita dentro de uma partida.

Quem não gostaria de poder assistir a uma competição com a perspectiva da vista do campo de jogo? Quanto vale um ingresso desses? De que forma isso vai mudar a relação que o esporte tem com a mídia? Será que o detentor do direito de transmissão precisa ser necessariamente uma empresa de mídia? Ou será que a pandemia não acelerou um projeto completamente novo, em que as pessoas poderão comprar bilhetes virtuais para assistir aos jogos e, assim, remunerar de outra forma os clubes?

A transformação digital está colocada. Ou você se entende com ela, ou vai insistir em modelos de negócios e de atuação que se mostrarão ultrapassados cada vez mais rapidamente. O esporte no Brasil tem a chance de escolher qual caminho vai seguir. A intuição me diz, no entanto, que ainda não estamos mentalmente preparados para mudar.


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