A minissérie "The Last Dance", em exibição no Brasil pela Netflix, é uma prova incontestável do quanto o esporte pode se expandir quando consegue criar um bom conteúdo para além daquele produzido nas disputas nas quadras e nos campos. Ao atingir outros patamares da comunicação, o segmento chega a novos públicos e consegue gerar uma experiência além da esperada pelo torcedor.

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De maneira geral, o que falta ao esporte brasileiro (e até em mercados desenvolvidos) é uma estratégia desse conteúdo. Algo diferente do que a NBA, por exemplo, se propõe a fazer, como nos contou o head da liga no Brasil, Rodrigo Vicentini (atenção: este é um spoiler para o décimo episódio de "Os Maquinistas", que irá ao ar na próxima quarta-feira (27)). As produções precisam seguir uma linha mais bem definida, com público e objetivos previamente estabelecidos, para ser funcional.

Isso não é exatamente simples porque, historicamente, foge do papel central do promotor do esporte. Por razões óbvias, o foco desses profissionais sempre foi a excelência do esporte. Afinal, esse é o coração do negócio: não haveria "The Last Dance" se não houvesse as enterradas de Michael Jordan.

Mas é preciso ir além porque o mundo pede isso atualmente. Com excesso de produções das mais diferentes esferas, o esporte precisa estar integrado a uma nova rede de entretenimento para ser mais sustentável.

Quando passa a ser o detentor do conteúdo, o esporte começa a ser mais efetivo em seus objetivos, especialmente porque ele pode estabelecer a história a ser contada. Em um contexto que valoriza ao extremo o "storytelling", o segmento não pode se limitar ao esporte. É assim que funciona em mercados desenvolvidos do entretenimento.

Nos últimos anos, o esporte no Brasil avançou muito nesse sentido. Por aqui, também foram feitos documentários, e as redes sociais se tornaram um braço significativo do negócio esportivo. Mas ainda é pouco. Um bom exemplo está na bagunça que envolve os jogos eletrônicos. O país tem uma das poucas grandes ligas do mundo que não consegue organizar as licenças para essa área. Em um momento de pausa generalizada, o setor tem ganhado importância, mas os clubes nacionais não aproveitam.

O sucesso de "The Last Dance" é uma marca no desenvolvimento do esporte dentro da indústria do entretenimento. A série reflete a maturidade da NBA, além da ESPN americana, que também produziu o documentário. É um exemplo a ser seguido, com foco na estratégia de conteúdo em curto e longo prazos.


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