A venda das operações da Nike no Brasil para o Grupo SBF fez levantar uma grande dúvida sobre o futuro da marca no país e, mais ainda, sobre o que pode ser do mercado de marcas esportivas nos próximos anos.

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Ao abrir mão de ter o controle total sobre a marca, a Nike avisa ao mercado que o Brasil não é mais estratégico para os seus negócios. Algo que muda toda a relação de forças estabelecida há 25 anos, quando a marca promoveu uma entrada agressiva no país por meio dos patrocínios à CBF, ao Flamengo e ao Corinthians. Desde então, sempre tínhamos protagonismo nos negócios da empresa. O que acontecerá agora?

A resposta a essa questão passa também por quem se tornou o novo dono da Nike do Brasil. Nesses mesmos 25 anos que vivemos desde que a Nike veio com força para o país, a Centauro saiu de uma rede modesta de Minas Gerais para ser a maior varejista de artigos esportivos do Brasil, com mais de 200 lojas e com ações lançadas na Bolsa de Valores no ano passado.

Como, no mercado esportivo, quase sempre há um efeito manada, em que as grandes marcas geralmente seguem a estratégia da Nike, a expectativa é de que haja um esvaziamento do mercado por aqui a partir do momento em que a fabricante americana deixar de ser tão protagonista assim.

Só que, para os negócios da Centauro continuarem a prosperar, o grupo SBF depende dos negócios que são impulsionados pela marca da Nike. Assim, a tendência é de que a empresa entenda que somente deixando a Nike continuar a ser Nike para que todos os negócios do grupo continuem a prosperar com relativa tranquilidade.

O movimento das peças, agora, coloca um novo desafio para o Brasil. A indústria do esporte precisa se profissionalizar para não deixarmos de ser protagonistas. Temos de nos preocupar em aumentar a prática de atividade física entre as crianças. Temos de nos preocupar em melhorar o nível do esporte profissional para que sirva de inspiração para essa prática.

Até mesmo as marcas que dependem desse negócio para viver podem começar a ver que o risco de fracasso aumenta e, assim, decidir reduzir sensivelmente os custos, abandonando a operação e aceitando receber uma porcentagem sobre o faturamento no país.

A Nike precisa continuar a ser Nike para o negócio da Centauro não desandar. Mas o esporte brasileiro precisa deixar de ser tão brasileiro para fazer com que as pessoas aumentem o consumo da prática esportiva e, assim, façam com que as grandes empresas não considerem que o país segue deitado eternamente em berço esplêndido.


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