A pluralidade de emissoras de televisão que irão transmitir os jogos de futebol no Brasil pode ser entendida como algo positivo para a indústria, mesmo a se considerar o peso que a Globo tem para um evento. As mais diversas marcas do segmento com direitos próprios formam uma distribuição mais uniforme desse produto esportivo, e a tendência é ter novos públicos e torcedores mais engajados. O problema é grade criada.

O mercado brasileiro e a sua corriqueira má organização vão fazer com o que o futebol tenha como a maior concorrência na televisão o próprio futebol. E, então, a pluralidade perde força. Logo no retorno da Libertadores, essa ideia ficará clara: a Globo colocará uma sequência de jogos do Corinthians no Brasileirão para abafar as transmissões da SBT com os outros paulistas na Libertadores. Invariavelmente, o resultado será menos audiência em ambos os torneios disputados pelas equipes.

É, mais uma vez, um movimento contrário do que faz os principais mercados esportivos do mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, as principais ligas também espalham seus jogos por diversas emissoras, mas cada uma tem o seu dia reservado. Até mesmo entre as diferentes ligas existe alguma organização para evitar esse cruzamento.

Na Europa, em que o cenário do futebol é mais parecido com o brasileiro, a lógica de reserva de dia se preserva. Liga nacional, Liga dos Campeões e Liga Europa não se misturam. Cada um dos eventos tem o seu próprio instante de protagonismo. Achar que a LaLiga concorre com a Uefa é uma insensatez.  

O problema é que essa falta de juízo será cometida no Brasil. Já acontecia, é verdade, quando a Globo não tinha jogos da Libertadores para um mercado específico. Mas agora é diferente: vai ser direto. O Corinthians X Palmeiras não será como o desta semana, mas sim em um dérbi entre Globo e SBT.

E não adianta culpar as emissoras pelo fato bizarro. Os canais apenas compram produtos que lhe são oferecidos e tentar gerar o melhor retorno possível com eles. Não cabem a essas empresas o papel de gestor esportivo. O problema está nos donos dos produtos, nesse caso a CBF e a Conmebol, que são incapazes de criar mecanismos para que seus eventos não tenham datas em comum. Algo totalmente básico para valorizar um evento de futebol.


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