Às vezes, existe a nítida impressão de que a confederação de futebol sul-americano, a Conmebol, vive em um universo paralelo. Na ânsia por uma nova imagem, a entidade tem criado uma série de rígidas regras para a organização da partida, que vão de protocolos até imposições sobre o comportamento dos torcedores. Ignora, no entanto, as questões mais básicas.

Estádio em chamas durante o jogo do Inter / © Reprodução

Se por um acaso a Conmebol achou que as "medidas civilizatórias" gerariam um espetáculo europeizado da principal competição sul-americana, a torcida da Universidad de Chile tratou logo de jogar água no sonho dos dirigentes. Mais precisamente, colocou fogo. Literalmente. Colocaram fogo no histórico Estádio Nacional.

Não demorou muitas rodadas para a Libertadores ter uma imagem surreal na atual temporada. A partida entre La U e o Internacional terminou com cadeiras em chamas, enquanto a partida transcorreu sem interrupções. Aparentemente, tudo normal no futebol sul-americano.

Segundo declararam dirigentes do Inter ao jornal "Zero Hora", além da continuidade da partida, dificilmente haverá uma punição mais grave à La U. Provavelmente, ficará em uma multa. A Conmebol ainda não se posicionou sobre o fato.

É no mínimo curioso o distanciamento da entidade a considerar que, há um ano, ela chegou a declarar que as partidas teriam que ter obrigatoriamente torcedores sentados a partir de 2021, como se o modo apaixonado de torcer fosse o problema da competição, e não a solução.

Para este ano, segundo apontou o jornalista Rodrigo Mattos em seu blog no "Uol", há novas regras até para a organização das garrafas de hidratação dos jogadores. Por outro lado, não há citações diretas sobre a maneira mais correta de incendiar uma arena.

A Conmebol impõe trejeitos europeus ao torneio, com proibição até de bandeirões, mas tudo parece um modo de lavar as mãos. Se não há ordem, não foi por falta de tentativa. A final de 2019 já foi um ótimo exemplo, com jogo único e aparentemente organizado, mas sem considerar os diversos relatos de instalações deploráveis do Estádio Monumental de Lima, seja na alimentação, nos banheiros ou nas filas.

O fogo em Santiago deveria servir de alerta: protocolo de troca de flâmulas não vale nada sem exigência de condições mínimas para torcer. Papel picado, bandeirão e pulos nunca mataram ninguém, mas o clima de guerra que permanece nas arenas, sim. Está na hora de a Conmebol sair do conto de fadas que ela mesmo criou.


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