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Análise: "Fogo amigo" mostra amadorismo do futebol

por Duda Lopes - São Paulo (SP)
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Após ser eliminado do Paulistão pelo Mirassol, Daniel Alves, do São Paulo, resolveu falar. O alvo? O marketing da equipe. O astro do Morumbi achou razoável questionar as decisões dos profissionais do clube e dizer que faria diferente. Parece só bobagem de um craque em fim de carreira, mas ilustra bem como correm as ânsias do amadorismo no futebol.

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Ele não está fora da curva. Há cerca de um mês, um diretor adjunto do Corinthians, Jorge Kalil, resolveu afirmar que o marketing do clube era "pífio" e "horroroso". Kalil, ressalta-se, é cirurgião vascular. Seu maior contato com a área de comunicação e marketing foi como dirigente nos tempos de Alberto Dualib. Ou seja, tão qualificado nesse mercado como Daniel Alves.

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Análise: "Fogo amigo" mostra amadorismo do futebol
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Daniel Alves reclamou do marketing do São Paulo após projeto de patrocínio falhar / Foto - SPFC

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Fosse uma declaração de alguns anos, quando o futebol era muito mais amador e personagens como o próprio Kalil estavam no comando do marketing das equipes, ela poderia ser ignorada. Mas, hoje, ela atinge diretamente profissionais sérios e competentes que atuam nas duas instituições e que lutam, diariamente, contra esse tipo de imposição de velhos dirigentes.

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Além de atrapalhar profundamente o trabalho desses profissionais, que ficam com a imagem injustamente arranhada e acabam somando mais dificuldades no mercado, esse tipo de declaração reforça a ideia de que eles estão expostos a críticas públicas e não são protegidos pela empresa em que atuam.

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Curiosamente, nesta semana um profissional da comissão técnica de um grande time do Brasil foi exposto em redes sociais com a camisa do rival. Para o autor da mensagem, haveria coisas erradas com a equipe a considerar a escolha do quadro de funcionários. A exposição violenta promovida por torcedores, dirigentes e até jogadores tornam o futebol um espaço hostil a profissionais.

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O caso de Daniel Alves é emblemático: sua postura antipática e arrogante mostrou que ele mesmo tem pouco cuidado com a imagem que ele quer tanto vender. Aos 37 anos, deveria começar por um media training básico.

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Clubes e entidades que queiram um ambiente realmente profissional precisam começar os trabalhos com a expulsão de quem não se contém na própria área de atuação. Se cada um se limitar a fazer o que sabe, como acontece nas melhores organizações, a roda sempre vai girar melhor.

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