O Flamengo quebrou a cara ao tentar cobrar para que seu jogo contra o Volta Redonda fosse transmitido com exclusividade dentro de uma plataforma de streaming. O naufrágio do projeto de se associar ao Mycujoo e cobrar R$ 10 de cada torcedor que quisesse assistir à semifinal da Taça Rio mostra que o streaming é um dos caminhos para o esporte ampliar o acesso ao consumo, mas não pode ainda ser visto como a única plataforma para que o fã tenha acesso ao evento.

Pelo menos não no futebol, em que o volume de consumo é muito grande.

Não temos, por aqui, uma plataforma forte o suficiente para aguentar centenas de milhares de pessoas assistindo simultaneamente a um evento. A não ser que nos associemos a uma das gigantes Netflix, Amazon ou Globo, não há viabilidade técnica para o tranco.

Não entender isso foi o maior erro do Flamengo ao planejar, já no segundo jogo em carreira solo nas transmissões, partir para o streaming pago.

Isso sem falar no prejuízo de imagem que teve, para a diretoria do clube, tentar justificar o injustificável. Nem uma semana após o torcedor celebrar a "liberdade" de não depender de um canal de TV para ver o time jogar, a conta já chegou. E de forma abrupta.

Uma diretoria que quer tanto se mostrar de vanguarda não pode ser insensível aos apelos dos torcedores. Mais do que isso, não pode usar o discurso "me ajuda para eu te ajudar". Não depois de ter implodido o Campeonato Carioca ao vetar acordo com a Globo e forçar o governo da República a fazer uma mudança na legislação que permitiu a transmissão das partidas em casa.

A sucessão de bobagens vividas no final de semana evidencia que o modelo que propõe uma ruptura completa do sistema vigente nunca é eficiente. Até mesmo a Netflix, antes de criar o seu streaming, ficou cinco anos entregando DVDs nas casas das pessoas para criar o hábito do consumo sob demanda.

O streaming, sozinho, não está pronto para atender ao consumo do futebol como conseguem a TV aberta e a TV paga. Nem mesmo o torcedor está pronto para pagar para assistir o que quer em uma plataforma que ainda traz muitos solavancos e não alcança nem 50% dos usuários do país de forma qualificada. É hora de recuar. Ou o que era para ser vanguarda vai se mostrar uma teimosia estúpida.


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