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Análise: Flamengo perdeu empatia em tragédia

por Erich Beting - São Paulo (SP)
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Tido como exemplo a ser seguido pelos resultados esportivos alcançado no último ano, o Flamengo começa a ver sua imagem debilitada pela total incapacidade do clube em lidar com a gestão da crise pela perduração do debate sobre a indenização das famílias das vítimas do incêndio no CT do clube.

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A situação só se agrava pela comparação do discurso de amparo total às famílias com as atitudes pavorosas que o clube teve no último sábado (8), quando fez um ano do acidente. A diretoria do Flamengo parece estar totalmente descolada da realidade ao dizer que ampara as famílias, mas não permitir que parentes entrem no CT para rezar pelos meninos mortos há um ano alegando que foram "fora do horário" ao local, ou que não pediram autorização prévia para poder entrar no espaço onde, um ano atrás, seus garotos foram carbonizados por total desleixo do clube em cuidar das crianças.

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O Flamengo que se gaba de poder peitar a Globo e abrir mão de R$ 18 milhões para querer R$ 81 milhões pelo Campeonato Carioca parece que conta as migalhas para pagar a indenização aos familiares dos meninos. É, mais uma vez, sintoma de um descolamento da realidade, ou da famosa relação de dois pesos e duas medidas.

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Por que o clube pode se fazer de vítima na relação com a Globo, afirmando que ela faz dinheiro às custas dele, mas não é capaz de pagar mais para as famílias?

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Tudo o que o Flamengo fez nas homenagens aos garotos neste primeiro ano do incêndio no Ninho do Urubu mostra uma total falta de empatia do clube para com as pessoas. Uma missa em homenagem aos meninos na qual só foram os dirigentes rubro-negros. O veto aos familiares que não pediram autorização no CT. A estapafúrdia nota oficial contra o apresentador Faustão que relaciona a crítica do apresentador a uma conspiração da Globo...

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O problema do Flamengo, agora, não é mais de gestão de crise. O clube precisa entender o seu papel como fonte inspiradora das pessoas. É uma questão de valores morais, não de valores financeiros, como parece ser a obsessão da diretoria do clube.

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No primeiro ano sem os meninos, apenas o meia Diego apareceu no noticiário visitando alguns familiares e dando a eles, de presente, uma Bíblia. É, possivelmente, um gesto muito maior do que todos os outros feitos pelo clube que o emprega.

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O Flamengo poderia pegar o dinheiro que abriu mão de receber no Estadual para tentar dar conforto material a quem perdeu o chão espiritual. É uma questão de empatia com aquele que foi, por irresponsabilidade do clube, duramente atingido.

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