Dono da maior torcida do Brasil e campeão de tudo na América do Sul em 2019, o Flamengo parece desconhecer a força que tem sua imagem. Ou, pelo menos, não entende o peso que tem na vida das pessoas.

No começo da pandemia, o rubro-negro foi um dos primeiros clubes a fazer uma ação diferente, com a criação do licenciamento de álcool em gel revertido em doações para a população carente. Depois, mais um golaço ao adotar a permissão para que autônomos e microempresários criassem modelos de máscaras oficiais para serem vendidas sem necessidade de repassar ao clube o custo de licenciamento de marca.

Só que o tempo de inatividade do futebol parece ter turvado o pensamento dos dirigentes flamenguistas. A insistência do presidente Rodolfo Landim em retomar o futebol dentro de campo beira o ridículo, para não dizer que chega a ser criminosa.

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Qual o motivo para o Flamengo querer tanto acelerar o retorno das atividades se o Rio de Janeiro aproxima-se cada vez mais de um colapso sanitário, com mortes em crescimento e temor de contágio espalhado entre boa parte das pessoas? Será que o clube que pode se autodeclarar o maior do país não percebe o que representa ser, de fato, o maior clube do país?

Na carta em que tentou justificar o encontro que teve com o presidente da República na semana passada, Landim tentou mostrar que existe uma divisão ideológica que contamina o Brasil: "Somos torcedores de todas as raças e credos, irmanados por uma única paixão. Infelizmente, nosso país anda doente. Não falo da Covid-19, mas dessa intolerância política de parte a parte que separa até mesmo famílias e que, infelizmente, alguns pretendem implantar também no nosso clube. O sentimento que nos une é amor e não ódio".

Se prega amor na carta, usando bons argumentos para isso, Landim abre brecha para que o ódio se instale ao não demonstrar qualquer sentimento com quem sofre pela doença que já matou mais de 23 mil pessoas no Brasil. Muito mais vítimas do que causou o ódio inflado por nossos governantes, de qualquer partido, na última década. E, pior, ainda infla essa raiva ao menosprezar quem pensa diferente dele.

Em uma era em que os líderes políticos colocam a convicção pessoal acima do bem-estar coletivo, o Flamengo mostra não entender o tamanho que tem. O clube deveria ser um exemplo de preservação da vida nesse momento. Seguindo a lógica matemática, pelo menos 2 mil rubro-negros morreram em dois meses. O que o Flamengo fez por eles?


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