O sucesso do Flamengo com a transmissão exclusiva em suas plataformas de um jogo que não valia absolutamente nada empolga. Mas está longe, muito longe, de ser um exemplo de como será ótimo para os clubes seguirem com pernas próprias na transmissão do futebol.

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O presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, foi às redes sociais exaltar os feitos obtidos pelo Flamengo com a transmissão do jogo e disse que o importante não foi a audiência, mas mostrar que há "caminhos para um novo modelo".

O problema é que, por melhor que seja o desempenho comercial do Flamengo neste instante, no médio prazo o negócio vai se dissipar. E vários motivos explicam isso. O primeiro é a pandemia. O torcedor está ávido por ver o time jogar, e as marcas estão testando publicidade em lives no momento atual.

Soma-se a isso o fator novidade, em que o torcedor se vê interessado em "pagar para ver", literalmente, o clube bater a todo-poderosa Globo e mostrar que é independente da televisão.

E quando virar "normal" o clube mostrar jogo em sua TV própria? Como será a reação do torcedor? Será que ele ainda terá apetite em dar dinheiro para um jogo que não vale nada? Ainda mais se a TV própria só pode exibir a partida em que o time é mandante?

O segundo ponto a se ponderar é o peso do Flamengo em detrimento do restante do futebol. O time rubro-negro é o maior do Brasil em termos de torcida. E é essa disparidade que os dirigentes de outros clubes parecem não entender na empolgação de que a MP 984 possa dar a eles o direito de fazer o que quiser com os jogos em casa.

Não será todo clube que conseguirá atrair audiência milionária na transmissão própria. Muito menos haverá interesse das marcas em patrocinar qualquer jogo. A base de torcedores interessados e com condições de pagar para ver uma partida também é bem menor quando olhamos a cadeia de consumo do futebol. No fim, o Flamengo indica um caminho, mas não é exemplo.

O caminho, aliás, não é o da transmissão solitária, mas o de controle sobre o conteúdo produzido. O que o Flamengo fez de mais excepcional foi trazer para ele a autoridade sobre o conteúdo. E fazer disso um produto. É o que o NBB faz há seis anos no basquete. E os dirigentes do futebol fingem não ver. Para ser independente da TV, não precisa de lei. Precisa de organização e união.


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