O patrocínio de três anos que Guaraná Antarctica assinou com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para dar suporte ao Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino pode servir de exemplo para o torneio masculino deixar de ser o Frankenstein atual.

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O acordo foi fechado diretamente entre a entidade e a empresa. Da mesma forma, é a CBF quem negocia os direitos de transmissão dos jogos. E repassa a verba aos clubes. Podemos, sem dúvida, questionar quais valores são arrecadados e de que forma é feita a distribuição do dinheiro. Mas é inegável que, para organizar comercialmente uma competição, o modelo do Brasileirão Feminino é simples e, mais do que isso, eficiente para trazer resultado.

Enquanto, por necessidade e falta de interesse das partes, o Brasileirão Feminino vai se organizando como pode, a ganância, política e econômica, fez do torneio masculino uma balbúrdia.

A CBF é quem teoricamente vende o patrocínio à competição, mas a entidade cedeu aos clubes os direitos de vender as placas de publicidade estática no gramado. Boa parte deles, por outro lado, deu à Sportpromotion esse direito de vender as placas. No final das contas, não existe um projeto único de comercialização do torneio, o que afasta o mercado do principal produto do calendário do futebol brasileiro.

Isso explica por que é mais fácil para uma marca do porte do Guaraná Antarctica buscar o Brasileirão Feminino para patrocinar do que ir para o masculino. Além, claro, dos valores muito mais baixos envolvidos, existe uma facilidade em ter o que fazer com esse patrocínio. É bem mais do que consegue fazer, por exemplo, o Assaí no seu title sponsor do Brasileirão Masculino, ação que fica restrita praticamente à exposição de marca na placa estática ao redor do campo e no pórtico dos times antes de começar a partida. Isso não é patrocínio. É mídia.

Quem sabe o sucesso do futebol feminino comercialmente, mesmo tendo muito menos exposição na mídia, leve o masculino a entender que unir os clubes para buscar os melhores contratos comerciais é uma premissa básica de quem tem um mesmo produto para tomar conta. O problema é que, ao que tudo indica, os dirigentes seguem achando que o único acordo interessante que existe no futebol é o de direitos de transmissão do campeonato. E, nessa propriedade, eles têm certeza de que são suficientemente bons sozinhos.


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