O Brasil vive hoje o período de expectativa da chegada da pandemia do coronavírus. Essa talvez seja a mais maluca das situações. Já estamos nos isolando do convívio social presencial e transformando-o em virtual. Temos lido, ouvido e visto a respeito do avanço da pandemia em outros países. E, com toda essa quantidade de informação, nossa reação natural é esperar pela chegada.

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Mas não dá para acreditar que, em meio a esse cenário, nós não estamos olhando ainda para frente. O esporte está paralisado por aqui, esperando. Mas esperando o quê? Não pode ser a pandemia, porque ela já chegou aqui há duas semanas. É só ver que a primeira atividade econômica a entrar em quarentena foi o próprio esporte! Estamos há 15 dias sem realizar competições no Brasil. E o que fizemos desde então?

É impressionante notar como ainda estamos em letargia. Já temos o exemplo da China para tomar como base de qualquer planejamento. A volta às atividades, se tudo correr minimamente bem dentro do que ainda estamos esperando atravessar, deve acontecer daqui dois ou três meses. Então, não faz sentido aguardar para ver o que vai acontecer depois que pudermos ter segurança de tirar a cabeça para fora de casa e não nos contaminarmos de forma brutal.

É o momento de parar de especular e agir. Até agora, só o automobilismo teve alguma atitude. A Porsche Cup e a Ultimate Drift, que seria lançada este mês, já promoveram suas competições virtuais. Na semana passada, foi a vez da Federação Alagoana de Futebol (FAF) também lançar o seu torneio virtual entre atletas.

Se existe um aprendizado enorme em relação ao atual momento em que vivemos é que o coletivo precisa superar o individual. E, mais uma vez, o esporte brasileiro parece estar estacionado, esperando o primeiro tomar uma decisão para o restante seguir atrás.

A falta de liderança e, mais ainda, de proatividade em resolver problemas, é uma característica típica do país. Entregar as estruturas físicas para uso em caso de pandemia é um gesto ótimo de solidariedade. Mas achar que isso é suficiente é um erro.

Já deveríamos estar movimentando os torcedores em suas casas, ajudando-os a superar os medos e desafios. Os atletas, para justificarem seus contratos, precisariam produzir conteúdos para os fãs. Os clubes, para justificarem seus patrocínios, precisariam se unir aos patrocinadores para entregar algo para a sociedade.

Ficar parado esperando o vírus chegar tornará ainda mais pesada a crise que já chegou e vai se alastrar por pelo menos meio ano. Esporte, passou da hora da criatividade ser aflorada.


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