A crise provocada pela pandemia do coronavírus mostrou uma dura realidade para o esporte brasileiro. Por mais que, nesta década, as entidades tenham investido bastante no meio digital, o esporte não sabe o que é estar preparado para ter o pensamento digital. A falta de iniciativa do esporte brasileiro em geral nesse momento de crise é a prova de que o pensamento ainda é analógico.

Enquanto nos Estados Unidos e na Europa as entidades souberam dar respostas rápidas à crise, por aqui estamos parados. Já há duas semanas a Máquina do Esporte tem tentado mostrar que existem diversas iniciativas sendo executadas no exterior que podem facilmente ser replicadas no Brasil por qualquer modalidade esportiva.

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A Porsche Cup e a Ultimate Drift foram as primeiras a perceber que a pausa não seria curta e que era preciso agir, já no primeiro final de semana sem esporte no país. Transformaram as suas competições reais em simulações virtuais, transmitidas em seus canais digitais. Assim, mantiveram atletas e marcas ativas e, mais do que isso, entregaram algo aos fãs. O NBB também tem feito alguma movimentação, com a produção de bastante conteúdo com atletas e celebridades do basquete nas redes.

Mas o futebol, que é o segmento com melhores condições financeiras e quantidade de funcionários em suas estruturas de marketing e comunicação, parece completamente paralisado em olhar como manter fontes de receita ativas, como o sócio-torcedor, mas sem entregar nada novo para seus patrocinadores, que naturalmente vão preferir cancelar seus investimentos já que nada lhes é entregue pelo clube.

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Com milhões de seguidores nas redes sociais, os clubes tinham como obrigação montar alternativas. Realizar torneios virtuais de videogame é a ideia mais fácil de se executar e que mais traria retorno nesse primeiro momento. Poderia engajar sócios-torcedores, justificar o salário dos funcionários e ainda dar retorno para os patrocinadores.

Mas, para isso, os clubes precisariam entender que o negócio deles não pode ficar todo centralizado no jogo de futebol físico. Já passamos da hora de termos ideias que são apenas solidárias. É preciso olhar a manutenção do próprio negócio ativo. E, se tem uma coisa que a pandemia vai nos deixar como legado é o aprendizado de que, para uma empresa ser digital, ela não pode apenas ter muitos seguidores nas redes sociais.

Ela precisa saber entregar o seu produto, seja físico ou virtual, no ambiente digital.

O esporte parece ainda não saber que seu produto é muito mais que um evento ao vivo.


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