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Análise: É preciso parar de terceirizar o futebol

por Erich Beting - São Paulo (SP)
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A reportagem sobre como a Bundesliga tem distribuído seus jogos mundialmente ilustra claramente como o futebol brasileiro está ficando para trás em relação ao restante do mercado. Enquanto, por aqui, os dirigentes seguem sem entender para que servem a produção e distribuição de conteúdo, terceirizando essa questão, os outros países adequam as suas ligas à modernidade.

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O movimento feito pela Bundesliga é emblemático. A liga alemã decidiu que vai explorar os mercados emergentes pelo streaming. Em vez de brigar com as famas de Premier League e LaLiga, a Alemanha adotou uma terceira via. O produto que ela oferta não tem tanto a mudar, então busca-se um novo público, acostumado a um outro tipo de linguagem visual na transmissão.

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No Brasil, estamos atrasados por décadas e ficando a cada novo movimento mais para trás. Os clubes tentam criar um falso discurso de que para serem livres eles precisam poder escolher com quem assinam o contrato de televisão.

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Mais Livre para quem? Abordagem de Movimento de clubes mostra fragilidade do futebol brasileiro - Foto: Reprodução

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Só que o discurso mentiroso adotado pelo "Futebol mais Livre" atende muito mais ao interesse de produtores de conteúdo que vão se beneficiar com a mudança da lei do que realmente os clubes. Para o futebol, não muda absolutamente nada mudar o mandante de um jogo. O futebol já é livre. A amarra que existe hoje é fruto de suas próprias escolhas e de sua fragilidade em negociar coletivamente contratos. Assim, uma lei que permite a cada um assinar com quem quiser suas partidas sem depender de ninguém só fragiliza ainda mais uma unidade e torna mais difícil ainda uma valorização para os clubes.

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Para piorar, nessa terceirização de seus problemas, o futebol não ataca o maior mal que o aflige hoje. A péssima qualidade do produto ofertado. Isso vai ficar ainda mais claro numa nova lei. A partir do momento que qualquer um for livre para assinar com quem quiser, será difícil achar quem queira assumir essa conta. Será que existe tanto apetite do mercado por um produto com cada vez menos valor agregado? Melhor investir no futebol europeu, na NBA, na NFL...

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O futebol brasileiro não sabe como lidar com a mídia. Não entende o que é produzir e distribuir conteúdo. Olha para o que acontece lá fora e não entende que o princípio básico adotado pelo esporte é o de não terceirizar suas negociações, que por sua vez sempre são coletivas. Isso sim é se tornar livre.

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