Ainda sem previsão do retorno de competições e eventos no Brasil por conta do triste crescimento do número de casos do novo coronavírus, atletas, clubes, ligas e federações seguem com a necessidade de gerar novas receitas e diminuir os prejuízos causados pela quarentena. As plataformas digitais, além de garantirem retorno aos patrocinadores como escrevi por aqui no mês passado, podem resolver parte do problema.

Em dezembro de 2018, como gerente de conteúdo do Corinthians, comandei a produção de uma série curta de vídeos de longo formato para celebrar os 20 anos da conquista do Campeonato Brasileiro de 1998. Em uma parceria estabelecida com o Facebook, ao mesmo tempo em que oferecemos conteúdo para valorizar a história do clube, aproveitamos a oportunidade para gerar tráfego para a loja on-line.

Por meio do Gerenciador de Anúncios do Facebook, criamos públicos personalizados de envolvimento para fazer o redirecionamento aos torcedores que assistiram aos cinco capítulos. O objetivo dos anúncios era a oferta de produtos retrô da época do título e um voucher de desconto para todos os itens da loja on-line. O resultado foi muito positivo: aumento de 42% nas vendas em relação ao mesmo período de 2017, que, lembrando, foi marcado pela conquista do heptacampeonato brasileiro em novembro.

Além do aumento expressivo das vendas, a série de vídeos em longo formato gerou ainda mais receita para o clube pelo fato de termos adotado os anúncios in-stream. O case foi considerado um sucesso pelo próprio Facebook e exposto em summits realizados no Brasil e no exterior, além do próprio portal da plataforma.

No Facebook, as possibilidades não se restringem às citadas acima. A plataforma também apresenta o branded content, seu recurso comercial mais popular, e outra ferramenta utilizada apenas pelo Barcelona até agora: o fan-subscriptions, em que o clube espanhol oferece conteúdo exclusivo a quem paga R$ 9,90 por mês pela assinatura do serviço.

Outro case bastante positivo de geração de receitas em plataformas digitais que tenho como gerente de comunicação e conteúdo do Corinthians é o amplify, que fechamos com o Twitter em 2015. À época, apenas o Barcelona possuía este acordo, e a repercussão foi bem positiva. Mas, mais importante que a divulgação, foi o estabelecimento de uma fonte de arrecadação que permanece até os dias de hoje no clube.

Atualmente, o Twitter trabalha com dois tipos de acordo do amplify: o pre-roll, modelo automatizado de compra de mídia, no qual o anunciante compra uma categoria de conteúdo e promove vídeos com uma vinheta antes; e o sponsorships, que é o patrocínio de conteúdo um para um (uma marca comprando conteúdo específico de um publisher específico).

As opções para a geração de novas receitas no digital são inúmeras e citei apenas algumas no texto. Com investimento em bom conteúdo, interação, engajamento e visão de negócios, a área tem muito potencial para sanar parte dos problemas financeiros dos principais personagens do esporte brasileiro e mundial. Como já disse por aqui em abril, o conteúdo digital segue vestindo a 10 e a faixa de capitão.

*André Stepan, que possui longas passagens pela ReUnion Sports & Marketing (assessoria de imprensa) e pelo Corinthians (gerente de comunicação e conteúdo), atualmente é country manager da Horizm, a primeira plataforma de valoração de asset digital em tempo real desenvolvida para esporte e entretenimento.


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