Se o mercado já começava a prever uma queda no valor que as entidades esportivas estavam conseguindo com a venda de direitos de transmissão, o cenário para os próximos anos pode sofrer uma verdadeira reviravolta pós-pandemia.

Duas notícias publicadas no Boletim Máquina do Esporte desta quarta-feira (6) ilustram bem isso. De um lado, o "all-in" promovido pela Rio Motor Sports para a aquisição da Fox Sports pode representar a grana não prevista que a Disney pode ganhar até para reinvestir na ESPN. E, de outro, o movimento que o fundo de investimentos CVC Capital Partners faz sobre o futebol italiano, para comprar os direitos de transmissão domésticos da Serie A, não pode ser ignorado.

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O coronavírus provocou um fenômeno interessante para o esporte. Entendemos finalmente o quanto ele faz falta nas nossas vidas. Seja na prática, seja no acompanhamento pela mídia. A Coreia do Sul, por exemplo, colhe os frutos dessa certeza. Por lá, a eficiência no combate ao Covid-19 transformou a K-League, a liga sul-coreana de futebol, em objeto de desejo de emissoras espalhadas por vários países. Na falta de um jogo ao vivo, topamos até mesmo ver o Coreanão como uma forma de passar nosso tempo.

Só que não é apenas esse interesse de momento pelos campeonatos que começam a voltar à ativa que chama a atenção. O cenário de retomada das competições é completamente propício para elevar os valores a serem pagos pelos direitos de mídia.

Não teremos, por muito tempo, público nos estádios. Os eventos esportivos, mais do que nunca, vão se transformar em eventos para a mídia. E só para ela. Como a própria retomada do convívio social de forma indiscriminada ainda é uma perspectiva para médio e longo prazo, ficar dentro de casa será nosso passatempo recorrente. E, aí, a experiência dada para o torcedor no sofá de casa será a mais valiosa da história.

Nesse contexto, o consumo de eventos esportivos deve crescer como raramente aconteceu. Por maior que seja a oferta, a demanda estará reprimida e será maior do que antes. Assim, a tendência é que haja uma maior corrida das emissoras em busca do evento ao vivo e exclusivo. Por conseguinte, aumentará o consumo desses eventos. E, ainda no efeito cascata, será ainda mais valioso para o anunciante investir na mídia das transmissões. Na ponta final disso tudo, o detentor do direito pode faturar mais.

Se a pandemia forçou o fechamento do esporte, o fim dela pode representar uma reabertura sem precedentes. Com o esporte pressionado pelo fim do público no evento, é natural que o valor do direito de mídia cresça, já que o consumo a distância aumentará com certeza.


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