A decisão da Globo de não colocar o Coritiba dentro do modelo de remuneração variável do futebol serve de alerta aos clubes. Tendo a pandemia como justificativa, a emissora conseguiu reduzir o que paga ao clube paranaense em relação a todos os demais clubes com quem tem acordo.

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Na prática, o Coritiba receberá apenas o valor fixo a que cada clube tem direito. Não fosse o acordo com a Turner, o Coxa já teria só 40% do que todos os demais clubes da Série A poderiam arrecadar com a televisão.

Por que isso serve de alerta para os clubes?

Consideremos a hipótese de que o debate sobre o uso da Medida Provisória 984 se desenrole com um desfecho em que os contratos atuais são rasgados. O Coritiba já serve para o futebol perceber que a Globo está disposta a investir muito menos.

O Covid-19 é a desculpa perfeita para reduzir valores. Ainda mais em um cenário em que há uma redução de competidores no mercado (hoje, não há quem compita com a Globo pela transmissão em TV aberta e também na paga), a crise tira o poder de compra do PPV por parte do torcedor, e o mercado como um todo reduz os preços.

Qual o impacto que haverá para os clubes no caso de a Globo decidir reduzir o que paga, amparada pela lei?

No afã de se tornarem mais independentes da mídia, os clubes parecem ter esquecido da regrinha básica de análise SWOT. Hoje, a ameaça de perder dinheiro ao mudar o contrato de TV é real. Por mais que haja a possibilidade de se ganhar com venda direta ou outros veículos, a grana disponível no mercado é menor do que a que existia em 2016, quando o acordo até 2024 foi assinado.

Se já está mais difícil trabalhar com um orçamento menor pela queda de sócios-torcedores e a ausência de receita de bilheteria, ter um contrato de mídia que valha cerca de 50% a menos do que o atual é um enorme risco.

Em momentos de crise, poupar parece sempre ser mais seguro. É o que os times mais equilibrados do mundo têm feito neste momento, procurando achar fontes alternativas de receita, reduzir custos e manter contratos nos patamares mais equilibrados possíveis. Tal qual fazemos na saúde, o futebol brasileiro tenta seguir um caminho bastante diferente, arriscando-se ao máximo em vez de manter-se saudável e com um mínimo de planejamento de longo prazo.


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