Desde o começo da pandemia do coronavírus, a atuação da CBF no gerenciamento da crise que assola o futebol chamou a atenção. Tal qual um avestruz, a entidade máxima do futebol brasileiro enfiou a cabeça dentro do buraco e não saiu mais de lá de dentro.

No dia 17 de março, com pompa a CBF publicou a seguinte matéria em seu site: "CBF registra receita e investimento recordes em 2019". A reportagem, publicada no dia seguinte à realização do último jogo de futebol, exaltava a receita quase bilionária da entidade: R$ 957 milhões no ano que passou.

A celebração da receita recorde veio um dia depois do início da quarentena no futebol. Demorou quase um mês para, no dia 6 de abril, a CBF anunciar que doaria R$ 19 milhões para clubes das Séries C e D e das duas divisões do Brasileirão feminino. Depois disso, apenas no dia 28 de abril a CBF voltou a se manifestar sobre o que aconteceria com o futebol brasileiro. E a decisão foi literalmente tirar o time de campo. Cada federação definiria por si só como seria a volta dos seu campeonato.

Apenas em 8 de junho a quase bilionária CBF anunciou que abriria uma linha de crédito de R$ 115 milhões sem juros para clubes das Séries A e B. E, no dia 15, divulgou um "guia médico para o retorno às atividades do futebol brasileiro". No dia 25 de junho, a entidade fez barulho durante a confirmação de que o Brasileirão voltaria em 8 de agosto.

Mas foi somente no dia 24 de julho que, finalmente, a CBF publicou qual seria a diretriz técnica para o retorno dos jogos. Em 60 páginas, NENHUMA, absolutamente NENHUMA LINHA sobre o que aconteceria caso um time tivesse vários jogadores com resultado positivo para os testes de coronavírus.

Em resumo. Durante cinco meses de futebol paralisado, a entidade máxima do futebol não se preparou para a volta. Acovardada com tudo e todos, a CBF tenta se esconder atrás de apresentações teóricas de conto de fadas. Mas não faz o básico para qualquer empresa. Sair da teoria e ir para a prática.

Quando os clubes vão tomar coragem de assumirem a gestão dos campeonatos que disputam? O que a CBF fez neste domingo foi a prova de que ela não serve para absolutamente nada. As pessoas que de fato trabalham com o futebol não merecem serem representadas por uma entidade como a CBF.


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