O futebol brasileiro viverá uma situação financeira bastante delicada com o período de paralisação por conta do coronavírus. Os clubes, que já convivem com dificuldades diárias na hora de pagar as contas, deverão sofrer para arcar com suas obrigações nas próximas semanas. É agora que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) tem que abrir o bolso para não deixar seus associados entrarem em um verdadeiro colapso.

A iniciativa já tem acontecido em outros mercados. Na Espanha, por exemplo, a federação local prometeu liberar € 500 milhões para os times das duas principais divisões, a fim de aliviar o engasgo financeiro provocado pela ausência de jogos. Já na América do Sul, a Conmebol anunciou que irá adiantar as premiações da Libertadores e da Sul-Americana aos clubes para amenizar a falta de partidas.

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Está na hora de a CBF se posicionar sobre o assunto ou, pelo menos, demonstrar o desenvolvimento de um plano robusto para que o futebol brasileiro não caia em uma crise profunda. Até porque existe condição para isso. Há exatos dez dias, a entidade declarou ter alcançado faturamento recorde, de quase R$ 1 bilhão. O superávit ficou em R$ 190 milhões.

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Nos bastidores, existe o desejo por uma maior interferência. A Federação Nacional dos Atletas de Futebol Profissional (Fenapaf) pediu a participação da CBF na negociação por redução de salários dos atletas. Já o vice-presidente do Atlético Mineiro, Lásaro Cândido Cunha, foi ainda mais direto ao pedir "ajuda" à entidade, durante entrevista realizada para a TV Galo.

Por ora, a CBF não se manifestou sobre o assunto. Sobre a paralisação, a confederação apenas afirmou que não deve deixar o calendário de 2020 invadir o próximo ano, e que a prioridade é terminar as competições que já foram iniciadas. Ou seja, os torneios das federações estaduais deverão ter prioridade sobre o Brasileirão, em uma medida que parece muito mais política do que esportiva ou financeira.

O problema é que, mesmo para a manutenção dos Estaduais, a paralisação representa um grave entrave para as equipes, especialmente as menores. Esses times costumam ter contratos específicos para o período, e o alongamento dos acordos pode ser financeiramente inviável. Até o momento, a única decisão da CBF causa um enforcamento nas contas justamente das equipes que têm as condições mais frágeis.

Como mostra a Espanha e alguns outros países, como a Alemanha, a federação de futebol não é enfeite. E é na crise que ela ganha mais importância para o esporte.


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