Um jogo exclusivo na TV paga com picos de 11 pontos de audiência, garantindo a vice-liderança na TV brasileira. Um campeonato com os melhores jogadores do mundo e uma audiência qualificada. Uma negociação segura de direitos de transmissão, com acordos trienais, entrega do sinal de imagem limpo, produção de especial semanal e sem surpresas. Ah, e um grupo de 15 patrocinadores só para a transmissão da fase final do torneio.

Do outro lado, temos um campeonato em que raramente permite exclusividade de transmissão na TV paga. Se existe, a partida é disputada num horário ruim para dar boa audiência, com enorme concorrência na programação dos demais canais e times pouco relevantes na disputa. Além disso, o custo de produzir o conteúdo é todo da emissora. A negociação dos direitos vive a incerteza jurídica de mudança de legislação, e simplesmente não há patrocinadores para um produto incerto na TV.

O sucesso de audiência da emocionante classificação do Paris Saint-Germain à semifinal da Champions League, conseguindo 11 pontos de audiência numa terça-feira à tarde, pode ser o argumento que faltava nessa renegociação que a Turner tem com os oito clubes com os quais têm contrato para o Campeonato Brasileiro.

Com custo semelhante ao do torneio nacional na aquisição dos direitos, a Champions League é, de longe, um campeonato muito mais interessante para a emissora. Até mesmo quando o assunto é a audiência das partidas. Reinando sozinha na TV (os jogos "abertos" passam no Facebook), a Turner tem empilhado recorde atrás de recorde nas transmissões da Champions League.

E, neste ano, o modelo de "Copa do Mundo" que precisou ser adotado pela Uefa, com jogos eliminatórios simples e três semanas de fase final da competição, parece ter feito uma saborosa limonada para todas as emissoras. O pacote comercial das finais, algo muito comum no mercado americano, foi um estrondoso sucesso no "Super Agosto" da TNT. Foram 15 patrocinadores, com três deles exclusivos para as plataformas digitais. O Brasileirão tem esse apelo?

Ou a indústria nacional se une para fazer de seus torneios produtos focados no torcedor, ou a preferência pelo estrangeiro, que já é crescente, se tornará natural.

Mas o futebol brasileiro acha que tudo segue muito bem...


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