Uma sede única para realizar torneios em tempos de Covid-19. Sem a presença do público, essa é uma maneira que diversas entidades esportivas têm pensado, com o intuito de diminuir os riscos para a saúde dos profissionais e cortar custos desnecessários na crise. Uma solução que poderia, sim, ser pensada para o Brasil, mas que não será discutida.

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E não é o entendimento de que o tema não tenha relevância no país. O assunto não será debatido simplesmente porque, ao menos no futebol, é totalmente inexistente a vontade de união entre as entidades esportivas. É vergonhoso como os dirigentes dão passos para trás em todas as oportunidades que surgem, mesmo que claramente isso represente perdas em longo prazo.

A última semana ficou bem marcada por isso. A Medida Provisória do Governo Federal dá ainda mais liberdade para os clubes negociarem de forma individual. O que, na prática, é uma tragédia para as equipes menores. E, diferentemente do que foi dito, dá ainda mais poder para as grandes emissoras, que passam a ter a liberdade de investir os seus milhões apenas naqueles que rendem as maiores audiências.

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Ainda assim, a medida foi aplaudida por dirigentes de gigantes e de nanicos das principais divisões do futebol brasileiro. Afinal, a grande maioria prefere se gabar das próprias soluções a ter um produto mais sustentável e alinhado com as melhores práticas do futebol internacional. O esporte no Brasil é incapaz de enxergar o todo.

Não são poucos os exemplos. Também na última semana, os cariocas foram incapazes de sentar na mesa para discutir com o mínimo de dignidade o retorno do torneio, que terminou com jogos adiados no final de semana. Botafogo e Fluminense chegaram a ser ofendidos pelo presidente da federação pelo simples fato de quererem mais tempo, algo bastante razoável.

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Enquanto o mundo civilizado do esporte se organiza em conjunto, no futebol brasileiro os dirigentes agem como torcedores de várzea. No próprio Brasil, o basquete mostra constantemente a força que é possível ter quando existe a união das equipes. Mas, nos gramados, impera a arrogância dos dirigentes que sempre acham que suas instituições são muito maiores do que realmente são. E, assim, perde-se a oportunidade de crescer e prosperar.


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