O futebol tem a capacidade de ser um dos segmentos de mercado mais complexos que existe. Pelo enorme componente emocional que a modalidade carrega, talvez seja o único ramo de negócio em que o gestor precisa, de fato, fazer com que seu produto seja consumido por qualquer pessoa.

Nem mesmo marcas icônicas como a Coca-Cola precisam pensar seu produto de forma a agradar a todos como o futebol. E, nessa complexidade de precisar ser uma marca consumível a todos, o futebol precisa entender que precisa ser ativista. Essa é uma condição intrínseca a um clube. Ele precisa ser a favor de todos. E de forma ativa.

Neste ano, nenhum clube no Brasil tem sido mais inteligente nesse sentido quanto o Bahia. Em meio a um movimento de debate sobre o direito de todos na sociedade, o clube baiano é o único que tem sido ativamente de todos. Sem exceção ou ocasião, como costuma ser a regra no Brasil.

A ação da vez é a camisa que o time usará nesta segunda-feira (21), no jogo contra o Ceará, manchada de preto para lembrar o vazamento de óleo que domina as praias do Nordeste brasileiro e que até agora não teve qualquer solução do governo federal.

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O clube, no entanto, já tem sido a voz ativa das minorias em diferentes ações há alguns anos, mostrando uma preocupação com causas e imagem que hoje apenas as grandes marcas mundiais têm demonstrado.

O que é mais alentador na história do Bahia é que o exemplo começa a ser ampliado para outros clubes e ações. Há poucos dias, o Santos também lançou uma campanha dura contra o racismo. Além da recém-lançada terceira camisa em homenagem à história dos jogadores negros no clube, a equipe lançou um manifesto pedindo que torcedores racistas, preconceituosos e xenófobos não consumam o Santos na última sexta-feira (18). Na quinta-feira (17), na partida contra o Ceará, o jogador do time cearense Galhardo disse que torcedores santistas insultaram os atletas da equipe com expressões preconceituosas.

O futebol precisa ser plural. E faz parte disso assumir causas. O que o Bahia tem feito e o Santos começa a fazer é um alento para nossa evolução como sociedade. O preconceito não será erradicado das nossas vidas, mas se os grandes formadores de opinião e comunicadores de massa como os clubes de futebol dão o exemplo de que o legal é conviver todo mundo em harmonia, conseguimos reduzir seu crescimento.

Está na hora de a Uefa e os clubes europeus virem tomar algumas lições com o Bahia de como é importante para o futebol ter atitude e não só discurso pluralista.


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