O mundo do esporte está cada vez mais profissionalizado, em um ciclo que envolve o crescimento do segmento como indústria e a própria necessidade oriunda desse movimento. Mas há uma engrenagem nesse processo que, invariavelmente, mostra atraso. Ela não é a única, mas é a que sempre aparece com mais evidência. Afinal, é a protagonista desse mercado: os atletas.

De forma geral, atletas se mostram despreparados em situações que saem de suas zonas de conforto. Existe uma certa despreocupação com eles porque o negócio não deixa de girar a cada tropeço, mas isso não significa que as demonstrações de amadorismo não sejam prejudiciais ao segmento como um todo. É preciso mudar.

Nesta semana, por exemplo, o piloto alemão Daniel Abt teve que se explicar nas redes sociais pelo fato de ter chamado outro piloto para usar seu nome em corridas virtuais. Alegou que era uma brincadeira, mas terminou sem seu contrato com a Audi. Ou seja, um atleta da Fórmula E não teve instrução mínima para a ação.

Durante esta quarentena, outro piloto já havia sido punido por uma atitude durante um jogo on-line. Kyle Larson perdeu patrocínios, foi suspenso da Nascar e demitido da equipe Chip Ganassi após usar um termo racista na transmissão ao vivo do evento.

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No futebol, para cada Cristiano Ronaldo, existe uma série de jogadores que aposta com ênfase na figura do empresário para a gestão da imagem. Frequentemente, o resultado é trágico. Nesta semana, por exemplo, mais uma vez o empresário de Pedrinho, camisa 10 do Corinthians, participou de um programa esportivo como representante do atleta. O profissional dos bastidores já criou polêmicas com críticas a treinadores e ofensas a jornalistas, em atitudes totalmente em desacordo com o que se espera no futebol profissionalizado.

Os casos são emblemáticos porque ocorrem sob grandes instituições do esporte. A maioria dos problemas poderia ser evitada, caso houvesse uma preparação maior com os nomes que são protagonistas em campo. Instruções mínimas de gestão de rede social, "media training" ou uma assessoria de imprensa resolveria o problema na maior parte dos casos. Custa pouco e pode gerar ganhos maiores em longo prazo.

Afinal, um tropeço de jogador pode passar a impressão de impacto pouco significativo, mas em uma era em que o conteúdo produzido pelas organizações esportivas ganha cada vez mais peso, astros mais bem preparados podem ser fundamentais em um processo de expansão midiática dos clubes, ligas e marcas que representam.


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