Dois mil e vinte deverá recolocar o mercado esportivo em uma trajetória de crescimento. A previsão de crescimento do PIB está acima de 2%, algo pouco significativo, mas o esporte tem tendência de números maiores, como aconteceu no boom pré-Copa, quando o segmento conseguiu dar saltos ainda maiores do que os apresentados pela economia nacional. Empresas, clubes e entidades, no entanto, precisam apresentar modelos mais sustentáveis.

Durante a virada da década de 2000 para 2010, o segmento esportivo ganhou uma enorme força. No futebol, no entanto, os modelos adotados não resultaram em um mercado mais consolidado. A abertura para novas marcas foi feita sem a preocupação com uma entrega mais sofisticada, e as grandes companhias resolveram sair dessa empreitada. O resultado mais nítido do caminho errante está nos valores de patrocínio máster das equipes; a considerar a inflação, os principais times perderam muita relevância no mercado nacional.

Em 2020, a tendência é de crescimento natural com a economia. E, a considerar que o segmento ainda está longe da maturidade, é natural imaginar que os passos serão mais largos que o PIB.

Neste primeiro ciclo de retomada pós-Copa do Mundo, o esporte precisa seguir os melhores caminhos, de maneira responsável, para voltar a ser atraente ao mercado. Ajudará o fato de que, dessa vez, não há um grande boom na economia. Na escassez, a melhor gestão se torna uma arma obrigatória para o sucesso.

O problema, claro, é que essa impressão nem sempre é seguida pelos gestores do esporte. Neste fim de ano, o Cruzeiro deu um exemplo lamentável, ao afirmar que romperia com a Adidas antes mesmo de o contrato de patrocínio entrar em vigor. Um sinal horroroso dado ao mercado por um time que passa pela maior crise de sua história. A equipe se mostra incapaz de seguir uma parceria com uma grande empresa.

Essa é a síndrome do "vale-tudo" que perseguiu o mercado do futebol nos últimos anos. Quando os clubes resolveram rasgar manuais de patrocínio e abriram os uniformes para uma dezena de marcas, não faltaram críticas. O modelo, desalinhado com as melhores práticas, entregava pouco às empresas. As respostas, na época, eram sempre as mesmas: se estão pagando, será feito. O resultado em longo prazo, no entanto, se mostrou desastroso. Agora, nesta retomada, o que o mercado exige é um passo maior na compreensão de parceria com os patrocinadores.


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